Durante muitos anos, o Goiás Esporte Clube foi exemplo de gestão financeira. Entre o início dos anos 2000 e meados de 2007, era tratado como o clube mais sólido do Centro-Oeste. Pagava salários em dia, honrava compromissos, tinha credibilidade no mercado e dinheiro em caixa.
Depois disso, vieram administrações sucessivas que transformaram um clube financeiramente saudável em uma instituição mergulhada em dificuldades. Hoje, o Goiás convive com atrasos de salários, dificuldades para cumprir compromissos, perda de crédito e uma realidade muito distante daquela que um dia o colocou entre os clubes mais organizados do país.
Dentro dessa história existe um capítulo que jamais foi suficientemente explicado.
Em 2014, o então presidente João Bosco Luz declarou que R$ 500 mil precisariam retornar ao caixa do Goiás. A afirmação foi feita pelo próprio dirigente e gerou uma pergunta que continua sem resposta: por que esse dinheiro precisava voltar?
Na época, o Conselho Fiscal recomendou a rejeição das contas da gestão. Mesmo assim, elas acabaram aprovadas pelo Conselho Deliberativo.
Até hoje permanecem perguntas que interessam a todos os conselheiros, sócios e torcedores:
- Qual era a origem desses R$ 500 mil?
- Por que esse dinheiro saiu do caixa do clube?
- Quem autorizou a operação?
- A que se referia a chamada “engenharia contábil” mencionada por João Bosco?
- O dinheiro realmente voltou aos cofres do Goiás?
- Se voltou, quando e por meio de qual documento?
- Se não voltou, quem respondeu por isso?
Essas perguntas nunca deixaram de existir. Apenas deixaram de ser respondidas.
Não se trata de condenar ninguém sem provas. Trata-se de exigir transparência. Um clube que pertence à sua torcida não pode conviver com lacunas dessa dimensão em sua história financeira.
A decadência financeira do Goiás não aconteceu de um dia para o outro. Ela foi construída por decisões administrativas tomadas ao longo de anos. E compreender esse processo passa, inevitavelmente, por esclarecer episódios que jamais receberam uma resposta pública convincente.
Os R$ 500 mil continuam sendo um símbolo desse passado mal explicado.
Porque, enquanto não houver documentos que respondam onde o dinheiro foi parar, por que precisou voltar e se realmente voltou, a história continuará incompleta.
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