terça-feira, 21 de julho de 2026

O mistério por trás da Blaze: quem realmente controla uma das maiores casas de apostas do Brasil?

INVESTIGAÇÃO 

Enquanto milhões de brasileiros apostam diariamente na Blaze e a marca investe pesado em publicidade com influenciadores, atletas e clubes de futebol, uma pergunta continua sem resposta clara: quem é o verdadeiro dono da empresa?

A investigação revela que, embora a Blaze tenha obtido autorização para operar legalmente no Brasil, a estrutura societária que aparece nos registros públicos ainda não permite identificar, de forma transparente, o controlador final do negócio.

A empresa brasileira

Após a regulamentação das apostas esportivas, a operação da Blaze no Brasil passou a ser realizada pela Foggo Entertainment Ltda., empresa criada em agosto de 2024, com capital social declarado de R$ 35 milhões e sede na Avenida Paulista, em São Paulo. Seu e-mail institucional utiliza o domínio oficial da Blaze, reforçando que ela é a operadora brasileira da plataforma. 

Nos registros públicos aparecem como administradores:

  • Aroldo Ribeiro Soares;
  • Beatriz Martins Lopes Amorim;
  • Savio Vinicius Reis Oliveira.

Além deles, consta como sócia a empresa Purple & Green Ltda.

Mas afinal, quem é o dono?

É justamente aí que começa o mistério.

Nenhum dos nomes registrados como administradores é apresentado pela própria Blaze como fundador ou controlador global da empresa.

Da mesma forma, a Purple & Green Ltda., que aparece como sócia, não esclarece quem seriam os beneficiários finais da operação.

Na prática, a documentação pública mostra quem administra a empresa, mas não revela quem efetivamente controla o grupo econômico.

O elo com Curaçao

Antes da regulamentação brasileira, a Blaze operava internacionalmente por meio de empresas registradas em Curaçao, um conhecido polo de licenciamento de apostas online.

Esse modelo é comum no mercado internacional: uma empresa estrangeira controla a operação e cria uma subsidiária local para atender às exigências regulatórias do país onde deseja atuar. 

O nome que surgiu nas investigações

Durante as denúncias feitas em 2023, o empresário Erick Loth Teixeira passou a ser apontado como possível responsável pela Blaze após aparecer vinculado ao registro do domínio brasileiro da plataforma.

Entretanto, ele negou ser proprietário da empresa, afirmando atuar apenas na área de marketing. Até hoje não há documento público que confirme que ele seja o controlador da Blaze. 

A licença não responde à principal pergunta

A autorização concedida pelo Ministério da Fazenda confirma que a Blaze está habilitada a operar no Brasil dentro das regras da regulamentação vigente.

Entretanto, a licença não identifica publicamente quem é o beneficiário final do grupo empresarial, mantendo em aberto uma questão que há anos desperta interesse de jornalistas e investigadores. 

Outra curiosidade

A mesma empresa brasileira, a Foggo Entertainment Ltda., também aparece vinculada à operação da plataforma JonBet, indicando que um mesmo grupo empresarial administra mais de uma marca de apostas no país. 

O que ainda falta esclarecer

Embora hoje seja possível identificar a empresa que responde pela Blaze no Brasil, permanece sem resposta pública uma pergunta central:

Quem é o verdadeiro controlador econômico da Blaze?

Os registros acessíveis mostram a empresa brasileira e seus administradores, mas não revelam, de forma transparente, quem está no topo da estrutura societária internacional.

Para uma investigação aprofundada, o próximo passo seria rastrear a cadeia societária da Purple & Green Ltda. e suas eventuais ligações com holdings estrangeiras, especialmente em jurisdições utilizadas pelo setor de apostas, como Curaçao. É nessa etapa que pode estar a resposta para a identidade do verdadeiro controlador do grupo.


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