O que foi vendido como uma experiência premium no Fan Fest da MotoGP, realizado no Estádio Serra Dourada, acabou revelando um cenário que levanta sérios questionamentos sobre padrão de organização, respeito ao consumidor e controle do ambiente.
Relatos obtidos pela reportagem apontam para um verdadeiro padrão de exploração, onde o alto valor cobrado não encontra qualquer correspondência na qualidade do serviço entregue.
O primeiro choque ocorre ainda na chegada. O estacionamento, com cobrança de R$ 100 para carros e R$ 70 para motos, não apenas apresenta preços elevados como também operou sob uma lógica considerada absurda: quem chegou primeiro foi direcionado para vagas mais distantes, enquanto os últimos a chegar foram privilegiados com os melhores acessos. Uma inversão que evidencia falha estrutural de organização.
No interior do evento, o cenário se agrava.
O setor open bar, vendido como diferencial de conforto e exclusividade, entregou exatamente o oposto. Cerveja quente, padrão de serviço precário e estrutura incompatível com o valor pago. A alimentação, por sua vez, era escassa, com poucas opções disponíveis para um público de grande porte — outro indicativo de subdimensionamento da operação.
Mas os problemas não se limitaram ao consumo.
Mulheres relataram filas extensas e desorganizadas nos banheiros, expondo um ponto crítico de planejamento em eventos dessa magnitude: infraestrutura sanitária insuficiente. A situação, além de desconfortável, revela descaso com uma demanda básica e previsível.
A segurança também entrou no centro das críticas.
Segundo os presentes, havia ausência de segurança ostensiva em áreas sensíveis, especialmente próximas à pista e aos espaços de maior concentração. Além disso, relatos apontam para um ambiente de tolerância à utilização de substâncias ilícitas, sem qualquer percepção de fiscalização efetiva, o que levanta dúvidas sobre o controle e a responsabilidade dos organizadores sobre o espaço.
O sistema de som, peça essencial em um evento musical dessa proporção, também não correspondeu às expectativas, comprometendo apresentações e a experiência do público.
O problema, no entanto, vai além de falhas pontuais.
O Fan Fest foi construído e vendido sob o discurso de “experiência completa da MotoGP”, mas, na prática, entregou um produto que muitos classificam como premium de fachada — alto custo, baixa entrega e organização fragilizada.
Em eventos dessa escala, não se trata apenas de entretenimento. Trata-se de responsabilidade.
E o que se viu foi um conjunto de falhas que não podem ser tratadas como pontuais, mas sim como indícios de uma execução abaixo do nível exigido para um evento que carrega a marca de um dos maiores espetáculos do esporte mundial.
Goiânia, que deveria se projetar internacionalmente, acaba sendo exposta por problemas básicos que comprometem a credibilidade e a experiência do público.
Nenhum comentário:
Postar um comentário