sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

CASO ITUMBIARA ENCERRADO: POLÍCIA CIVIL CRAVA PREMEDITAÇÃO E DESCARTA QUALQUER ENVOLVIMENTO DE TERCEIROS

A Polícia Civil de Goiás decidiu falar. E quando decidiu, falou para encerrar.

Na manhã de 27 de fevereiro de 2026, o delegado Felipe Soares Sala, do Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) de Itumbiara, subiu ao púlpito acompanhado da Polícia Técnico-Científica para apresentar aquilo que chamou de conclusão definitiva: duplo homicídio seguido de suicídio. Sem terceiros. Sem reviravolta. Sem espaço para teorias paralelas.


A coletiva foi estruturada para fechar portas.


Segundo a cronologia apresentada, a sequência dos acontecimentos na noite de 12 de fevereiro foi minuciosamente reconstruída. Os filhos, Miguel e Benício, estavam dormindo quando foram mortos. Esse detalhe, frisado pela autoridade policial, não é apenas informativo — ele reforça a tese de execução sem reação, afastando qualquer hipótese de confronto, acidente ou intervenção externa.


A polícia afirmou que houve premeditação.


E aqui entra o núcleo da narrativa oficial.

Investigações da Polícia Civil de Goiás (PCGO) revelaram que o então secretário de Governo de Itumbiara, Thales Machado, enviou fotos dos filhos dormindo e fez ameaças à esposa, Sarah Tinoco Araújo, momentos antes de m4tar as crianças e tirar a própria vida no dia 12 de fevereiro. Segundo a linha do tempo apresentada pela corporação, por volta das 19h, um detetive particular contratado por ele informou que havia conseguido imagens da mulher acompanhada de outro homem, em São Paulo. Embora o material só tenha sido encaminhado mais tarde, a notícia teria sido suficiente para desencadear uma escalada de tensão entre o casal.


Conforme as apurações, o investigado passou a telefonar repetidamente para a companheira. A última chamada de vídeo ocorreu às 20h39. Durante a conversa, houve discussão, e ele teria a am3açado, afirmando que a vida dela “viraria um inferno”. Depois disso, Sarah deixou de atender às ligações.


Antes dos disparos, o homem enviou à esposa uma imagem dos meninos dormindo, acompanhada de mensagens com teor intimidatório, indicando que poderia feri-los.


De acordo com o delegado, momentos antes dos disparos, Thales Naves Alves Machado enviou mensagens, realizou ligações insistentes à esposa, publicou conteúdo em rede social por volta das 23h39 e encaminhou fotos dos filhos dormindo. A interpretação da autoridade foi clara: a sequência demonstra planejamento, preparação psicológica e despedida.


O intervalo estimado para os crimes teria ocorrido entre 23h39 e meia-noite.


Outro elemento mencionado foi a contratação de um detetive particular para monitorar a esposa durante viagem a São Paulo — dado apresentado como parte do contexto emocional e comportamental que antecedeu a tragédia.


Durante a coletiva, também foi citado que, horas antes do crime, houve um jantar com os pais do investigado que, segundo relato posterior deles à polícia, teria apresentado “tom de despedida”. A própria autoridade fez questão de esclarecer que essa percepção só foi identificada após os fatos, em retrospectiva.


Esse ponto é importante.


“Tom de despedida” não é prova técnica. É elemento contextual comportamental. A sustentação da conclusão, segundo a polícia, estaria ancorada em laudos periciais, exames necroscópicos, análise balística, cronologia telefônica e vestígios de local.


A presença da Polícia Técnico-Científica na coletiva teve exatamente essa função: dar respaldo técnico à narrativa investigativa.


A mensagem institucional foi inequívoca: não houve participação de terceiros.


A PCGO afirmou que nenhuma evidência aponta para intervenção externa, e que a cadeia de custódia dos vestígios foi preservada e analisada conforme os protocolos.


Do ponto de vista institucional, a coletiva cumpriu três objetivos estratégicos:


Primeiro, consolidar a tese oficial antes que narrativas paralelas ganhassem corpo nas redes.


Segundo, demonstrar que houve base pericial e não apenas interpretação subjetiva.


Terceiro, encerrar publicamente o caso no âmbito policial, transferindo qualquer discussão remanescente ao Ministério Público.


O relatório final do inquérito não foi divulgado integralmente à imprensa, sob alegação de sigilo legal, mas a polícia apresentou os principais eixos conclusivos.


E é aqui que o debate se desloca.


Uma coletiva de imprensa não substitui o relatório escrito. Ela comunica a conclusão. O documento formal encaminhado ao Ministério Público é que materializa juridicamente o encerramento.


A Polícia Civil fez sua parte institucional: investigou, periciou, concluiu e apresentou.


Agora, o que resta é a análise ministerial e, eventualmente, a fiscalização jurídica sobre a integridade da cadeia probatória.


O que a coletiva deixou claro é que, para a PCGO, o caso não comporta dúvida investigativa. A linha é única. A conclusão é definitiva. A responsabilidade, individual.


O Estado falou.


Resta saber se o silêncio documental permanecerá restrito ao inquérito ou se, por força da Lei de Acesso à Informação, os detalhes técnicos completos virão a público.


Porque entre narrativa coletiva e relatório pericial há uma diferença fundamental: um comunica; o outro prova.


E é nesse ponto que a história deixa de ser emocional e passa a ser jurídica


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