DINHEIRO DE EMPRESA LIGADA A CONTRATO DE R$ 1,9 MILHÃO COM A PREFEITURA APARECE EM PAGAMENTO DE CAMINHONETE DE PREFEITO EM SÃO MIGUEL DO ARAGUAIACheque de R$ 200 mil, contrato público, sócia em comum e transação privada formam um encadeamento que exige explicação urgente
O que começou como um rumor político ganhou contornos documentais. E agora o caso deixa de ser bastidor e entra no campo da responsabilidade institucional.
Documentos, registros societários e dados de contrato público revelam uma sequência de fatos que, embora ainda sob apuração, colocam sob escrutínio uma transação privada envolvendo o prefeito de São Miguel do Araguaia, Jeronymo Siqueira.
E o ponto central não é a caminhonete.
É o fluxo do dinheiro.
O CHEQUE DE R$ 200 MIL
O Blog do Cleuber Carlos teve acesso à imagem de um cheque empresarial no valor de R$ 200.000,00, vinculado à empresa TDR Serviços e Locações Ltda.
Segundo as informações apuradas, esse cheque teria sido utilizado como parte do pagamento de uma caminhonete adquirida pelo prefeito.
O documento apresenta:
- emissão empresarial
- registro de devolução inicial
- posterior compensação
Até aqui, trata-se de uma operação privada.
O problema surge quando se observa quem é a empresa emissora.
A EMPRESA DO CHEQUE
A TDR Serviços e Locações possui como sócia Paula Araújo Costa.
E aqui está o ponto que altera o cenário.
A mesma Paula Araújo Costa é sócia da Player Service Ltda
O CONTRATO PÚBLICO
A Player Service Ltda possui contrato com o Município de São Miguel do Araguaia para serviços de limpeza urbana contínua, no valor de:R$ 1.922.256,28
Ou seja:
A empresa cujo cheque aparece no pagamento de bem particular do prefeito está ligada, por sócia comum, à empresa que presta serviços à Prefeitura comandada pelo próprio beneficiário do bem.
Isso não é narrativa.
É encadeamento objetivo de fatos.
POR QUE ISSO É GRAVE DO PONTO DE VISTA INSTITUCIONAL (EM TESE)
Não se afirma aqui a prática de crime.
Mas a situação pode levantar questionamentos sobre:
- conflito de interesses
- relação imprópria entre contratado e gestor público
- eventual vantagem indireta
- dependência econômica entre fornecedor e autoridade
- integridade das contratações públicas
- transparência da evolução patrimonial
Quando dinheiro ligado a estrutura empresarial que mantém contrato público aparece em transação privada do chefe do Executivo, a explicação não é opcional — é obrigatória.
O QUE PRECISA SER EXPLICADO
A sociedade tem o direito de saber:
- Qual a natureza do cheque de R$ 200 mil?
- Foi empréstimo? Intermediação? Pagamento de terceiro?
- Por que empresa ligada a contratada do município aparece na operação?
- O contrato de limpeza urbana está vigente?
- Essa operação consta na declaração patrimonial do prefeito?
O SILÊNCIO QUE AMPLIFICA O CASO
Até o momento, não houve esclarecimento oficial.
E quando as respostas não vêm, os fatos falam sozinhos.
O caso deixou de ser político.
Passou a ser institucional.
E quando recursos ligados a empresas que se relacionam com o poder público entram em operações privadas de autoridades, a questão é simples:
A população tem o direito de saber se há apenas coincidência — ou algo que precise ser investigado.
O Blog do Cleuber Carlos mantém o espaço aberto para manifestações do prefeito, das empresas citadas e de seus representantes.
Mas enquanto isso não ocorre, os documentos e os vínculos já colocam São Miguel do Araguaia diante de um episódio que não pode ser tratado como trivial.
Transparência não é ataque.
É dever republicano.
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