GUERRA NO PL | Crise entre Wilder Morais e Márcio Corrêa explode de vez em Anápolis. Senador acusa o prefeito de abandonar compromissos políticos depois de ter sido eleito pelo PL com apoio de Jair Bolsonaro e afirma que, se Bolsonaro pudesse reagir, quem escolhesse caminhar contra o projeto do partido “certamente seria considerado traidor”.
A guerra dentro do PL goiano deixou os bastidores e veio definitivamente a público.
Wilder Morais divulgou um duro pronunciamento contra o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa, no qual fala em palavra, compromisso, lealdade e, no trecho mais pesado, em traição.
O senador começa lembrando sua relação antiga com Anápolis, os investimentos realizados antes mesmo de entrar para a política e os recursos destinados ao município durante seu mandato.
Mas rapidamente deixa claro o verdadeiro endereço da mensagem.
“Na minha casa eu aprendi, com meu pai e com a minha mãe, que a palavra é essencial na vida de uma pessoa.”
WILDER DIZ QUE FOI ALERTADO
O senador afirma que foi aconselhado a aproximar o Republicanos de seu projeto político, mas que teria recusado a possibilidade para preservar sua relação com Márcio Corrêa.
Segundo Wilder, a decisão foi tomada para não fazer uma “desfeita” com o prefeito de Anápolis.
Agora, o senador apresenta a conta política.
Wilder lembra que Márcio foi eleito prefeito pelo PL, contando com apoio do partido e de Jair Bolsonaro, mas afirma que hoje trabalha eleitoralmente para candidatos de outras legendas.
“Hoje pede voto para outro partido, para deputado, para outro governo e, não duvide, para outro presidente também.”
A declaração escancara o tamanho do rompimento.
“CERTAMENTE SERIA CONSIDERADO TRAIDOR”
Wilder vai além e diz não se surpreenderia caso Márcio também rompesse compromissos que, segundo ele, teriam sido assumidos com Major Vitor Hugo e Gustavo Gayer.
É então que faz sua declaração mais contundente.
O senador relaciona o movimento do prefeito à atual situação de Bolsonaro e afirma que, se o ex-presidente estivesse em condições de reagir politicamente, a situação seria diferente.
“Jamais o Bolsonaro permitiria que alguém que escolheu para caminhar contra o Brasil permanecesse no PL. Certamente seria considerado traidor.”
Wilder não pronuncia literalmente a frase “Márcio é traidor”. Mas todo o pronunciamento é construído em torno da conduta política atribuída ao prefeito, o que torna evidente a gravidade do recado.
GUERRA DEVE AUMENTAR
O senador revela ainda que a Executiva do PL foi convocada e antecipa uma ofensiva contra ele.
“Vieram os ataques de blogs e sites, eu já te aviso: vem mais por aí. Vão inventar, vão distorcer.”
A declaração indica que Wilder espera novos capítulos da guerra interna e já procura estabelecer sua versão antes que os adversários reajam.
No encerramento, tenta separar a disputa com Márcio de sua relação com a cidade:
“Anápolis, o meu compromisso com você segue de pé, com prefeito ou sem prefeito. Eu não viro as costas para você.”
A mensagem dificilmente poderia ser mais clara.
Márcio Corrêa chegou à Prefeitura de Anápolis pelo PL e com Bolsonaro como um dos principais ativos políticos de sua campanha.
Agora, Wilder coloca publicamente em dúvida justamente aquilo que abriu seu pronunciamento dizendo considerar essencial:
a palavra.
A guerra no PL de Goiás não está mais começando.
Ela começou.
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