quinta-feira, 26 de outubro de 2023
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quarta-feira, 25 de outubro de 2023
PESQUISA | Mapa de Negócios de Impacto Socioambiental revela que modelo de empreendedorismo de impacto avança no Brasil
A edição 2023 conta com o patrocínio da Coalizão pelo Impacto, do Cubo Itaú ESG, Fundo Vale, Instituto Helda Gerdau e Instituto Sabin. A iniciativa do Mapa de Negócios de Impacto Socioambiental é resultado da união da Pipe.Social e do Quintessa – protagonistas no ecossistema de impacto nacional – que formam a Base de Impacto: responsável por aumentar a oferta de benefícios aos empreendedores, ampliando a conexão com os mercados.
SÃO PAULO | Os negócios que resolvem problemas sociais e ambientais compõem um modelo em franca expansão no Brasil: o empreendedorismo de impacto. Com a proposta de contribuir para a transformação positiva da sociedade, essas empresas atuam com produtos e serviços que endereçam respostas – tecnológicas, inovadoras e com base em ciência – para desafios contemporâneos nas áreas de inclusão produtiva, saúde, habitação, educação e serviços financeiros, entre outros. Com um ecossistema mais maduro, os negócios de impacto sobreviveram à pandemia de covid-19 e seguem ampliando os faturamentos, influenciando a criação de mecanismos financeiros de captação de recursos e alimentando novos setores como das Economias Verde e Prateada, além de mercados emergentes como o de Carbono. Para analisar os movimentos e as tendências, a Pipe.Social e o Quintessa conduziram a quarta edição do Mapa de Negócios de Impacto Socioambiental, que reúne a leitura de 1.011 empresas nacionais e mais de 11 mil empreendedores. O estudo aconteceu com o suporte de 66 organizações espalhadas pelo país, que apoiam os empreendedores.
Entre as análises, percepções e os insights coletados pelo mapeamento do mercado de impacto socioambiental, destacam-se a conclusão de que, nos últimos dois anos, houve uma movimentação do ecossistema para dar suporte ao surgimento e crescimento de mais negócios com atuação fora do Sudeste; houve, ainda, aumento expressivo de ações para apoiar negócios voltados a territórios específicos; a pauta climática ganhou corpo com a chegada de capital atrelado ao ESG; novas oportunidades governamentais ligadas ao verde e à agricultura sustentável surgiram; cresceu o número de soluções de financiamento a negócios de impacto em estágios iniciais; e há mais suporte à inclusão e diversidade como solução proposta por negócios. Além disso, o pipeline tem empreendedores mais diversos.
Finanças dos negócios de impacto
Na análise do faturamento em 2022, tendo por base 514 negócios que declararam seus ganhos, o Mapa de Negócios de Impacto Socioambiental aponta que 29% das empresas faturaram até R$ 50 mil; 12%, de R$ 51 mil a R$ 100 mil; 21%, de R$ 101 mil a R$ 500 mil; 13%, de R$ 501 mil a R$ 1 milhão; 10%, de R$ 1,1 milhão a R$ 2 milhões; 5%, de R$ 2,1 milhões a R$ 4 milhões; 3%, de R$ 4,1 milhões a R$ 6 milhões; 2%, de R$ 6,1 a R$ 8 milhões; 2%, de R$ 8,1 a R$ 10 milhões; e 3%, acima de R$ 10 milhões.
Na prática, em 2023, nota-se um crescimento no volume de negócios que são sustentáveis financeiramente (em 2021, eram 20%), entretanto, quando o dado é analisado por gênero, os times formados somente por homens e os mistos tendem a crescer nas faixas de faturamento acima de R$ 4 milhões. “Entre os negócios com faturamento acima de R$10 milhões, não há times formados somente por mulheres. Essa concentração se deve também a um menor número de times formados apenas por mulheres em soluções verdes, que representam a maioria da amostra. A análise aponta, ainda, que tecnologias verdes e finanças compõem os negócios com maior faturamento. A diferença é que as green techs são maioria da amostra geral e as fintechs são minoria”, afirma Mariana Fonseca, fundadora da Pipe.Social e uma das coordenadoras do mapeamento.
De acordo com Anna de Souza Aranha, sócia e coCEO do Quintessa e uma das coordenadoras do Mapa 2023, a nova edição revela um amadurecimento do setor, com maior presença de negócios com estágio de maturidade avançado. "Na edição anterior, apenas 3% dos negócios declararam faturar mais de R$ 2,1 milhões por ano. Nesta edição, esse número subiu para 15%. Ainda assim, persiste o grande desafio de superação do 'vale da morte', com ganho de sustentabilidade financeira e definição de modelo de negócio. Os dados mostram, ainda, que apenas 30% se autodeclaram com sustentabilidade financeira; 15% disseram ainda não estar faturando em 2022; dos 66% que declararam faturamento, 75% faturam até R$ 1 milhão/ano. Apenas 37% se autodeclararam nos estágios de Tração e Escala", aponta Anna, acrescentando que há uma clara demanda de qualificação dos apoios oferecidos pelos atores do ecossistema em torno desse tema.
CONCEITO-CHAVE
Os negócios de impacto são empreendimentos que têm a intenção clara de endereçar um problema socioambiental por meio de sua atividade principal, ou seja, produto/serviço e/ou sua forma de operação. Esses negócios atuam de acordo com a lógica de mercado, com um modelo de negócio que busca retornos financeiros, e se comprometem a medir o impacto que geram. Fonte: O que são Negócios de Impacto | Aliança pelos Investimentos e Negócios de Impacto.
PRINCIPAIS CONCLUSÕES DO MAPA 2023
# RETRATO DOS EMPREENDEDORES
:: POR NEGÓCIOS (base 1.011)
A distribuição dos fundadores e das lideranças pelos negócios aponta para um misto de homens e mulheres (42%); e um equilíbrio entre fundadores e fundadoras: 22% e 21%, respectivamente. Em raça e etnia, na composição da liderança há 33% de times brancos; 25% de equipes com mais de uma raça/etnia; 11% somente pretos e pardos; e 1% amarelo e indígena. Segundo Mariana Fonseca, fundadora da Pipe.Social e uma das coordenadoras do estudo, os times mistos deram um salto de 19% (edição 2021) para 42% em 2023. “Além disso, as equipes formadas apenas por mulheres e apenas por homens estão praticamente equiparadas. Apareceram, também, pela primeira vez na série histórica do Mapa, negócios com lideranças em outros gêneros, ou seja, há mais diversidade no pipeline. A leitura de diversidade de raça e etnia, apesar de representar uma base menor da amostra, aponta para um ambiente mais inclusivo e diverso. É a primeira vez, inclusive, que o levantamento faz essa leitura dentro da composição de lideranças/fundadores que representaram 11.174 pessoas. Por outro lado, os negócios com fundadoras, pessoas pretas e pardas tendem a se concentrar nos estágios iniciais da jornada de empreendedorismo e são minoria ainda entre os negócios com maior volume de faturamento”, afirma.
Nos dados de orientação sexual, 15% dos negócios têm na equipe fundadores/lideranças que integram o grupo LGBTQIAP+. A leitura sobre pessoas com deficiência aponta que 5% dos negócios declararam ter fundadores e lideranças com esse perfil. Um dos destaques da edição 2023 é que, pela primeira vez, o Mapa tem uma base declarada suficiente para apontar o número de pessoas entre lideranças/fundadores que estão nos grupos LGBTQIAP+ e PcD.
A análise da formação aponta que 72% dos negócios contam com pelo menos um empreendedor formado em Administração, Economia, Contábeis e/ou STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática) – graduações que aumentam a facilidade desses empreendedores de acessar e serem acessados por investidores, porque esses conseguem dialogar melhor com o mundo dos negócios.
# RETRATO DOS EMPREENDEDORES
:: POR PESSOAS (base 11.174 pessoas)
Esta análise – que leva em consideração o número total de empreendedores – revela que 51% dos fundadores/lideranças são homens; 48%, mulheres; e 1%, outros gêneros. Sobre a raça e etnia, há 49% de brancos; 19% de indígenas; 17% de pardos; 13% de pretos; e 2% de amarelos. Mariana aponta que o número de indígenas se refere a negócios ligados a associações/cooperativas, especialmente no Norte do país, que concentram algo em torno de 200/300 associados considerados como sócios. “É importante notar que os empreendedores brancos eram 66% em 2021, enquanto pardos e pretos somavam 25% e indígenas 1%. Apesar de alguns negócios pesarem sozinhos nesses dados, há mais diversidade de raça e etnia quando olhamos para o volume de fundadores e de lideranças no total”, aponta.
Na faixa etária, considerando uma base de 910 entrevistados, temos: 2% (18 a 24 anos); 8% (25 a 29 anos); 15% (30 a 34 anos); 18% (35 a 39 anos); 16% (40 a 44 anos): 11% (45 a 49 anos); 10% (50 a 54 anos); 5% (55 a 59 anos); 4%(60 a 64 anos); e 2% (65 anos ou mais). Na escolaridade, a maioria (61%) possui pós-graduação, mestrado, doutorado ou pós-doutorado; sendo seguidas por 29% com ensino superior completo.
“A leitura que fazemos é que há mais maturidade entre os empreendedores. Diminuiu o número de empreendedores entre 18 e 29 anos: em 2021, eram 22% da base. Cresceu o volume de empreendedores maduros, acima de 50 anos: 21% da base está nessa faixa. Comparando com os dados de 2021, acima dos 45 anos, o número subiu de 26% para 32% das lideranças nessa faixa etária. O maior volume, 60%, está entre 30 e 49 anos”, afirma Mariana, acrescentando que há um volume grande de lideranças com um nível educacional elevado, inclusive, entre os com mais de 60 anos.
“Esse dado acompanha tendências de longevidade da população, mostrando que há uma parcela que empreende no momento que antes era marcado como o início da aposentadoria, como mostram estudos da Pipe.Social e Hype60+, como o Tsunami 60+. Um outro ponto importante na análise do perfil é que muitos empreendedores técnicos – vindos de áreas como Educação, Saúde e Ambiental – acabam criando negócios a partir de soluções encontradas em suas formações e expertises em campo”, revela.
# RETRATO DOS NEGÓCIOS DE IMPACTO
A análise da distribuição demográfica das sedes – que leva em conta uma base de 1.011 negócios – mostra que 58% estão na região Sudeste; 14%, Sul; 12%, Nordeste; 5%, Norte; e 4%, Centro-Oeste. Entre os Estados, destaque para São Paulo (39%) e Rio de Janeiro (10%). O levantamento mostra que 59% estão nas capitais e 35% no interior; a operação de 59% deles é no Sudeste; 37%, no Nordeste; 37%, no Sul; 30%, no Centro-Oeste; e 28%, no Norte. Por mais que os negócios tenham as sedes concentradas no Sudeste – região com maior acesso a benefícios como networking, eventos, mentorias, acelerações/incubações e até investimentos –, o impacto gerado por essas soluções tem escala nacional e grande potencial para atuar em vários desafios brasileiros, onde quer que estes estejam, como também apontam os dados de operação no país.
O olhar para a estruturação dos 1.011 negócios analisados revela que 31% têm de 2 a 5 anos; e 29% têm de 5 a 10 anos; 15% desses negócios têm mais de 10 anos, mostrando a maturidade do ecossistema. Um outro dado relevante é que 84% dos negócios estão formalizados: 41% são Sociedade LTDA. “Na prática, 75% dos negócios já existem há mais de dois anos, sendo que 44% há mais de cinco anos. É interessante notar uma tendência: alguns negócios com maior tempo de atuação do mercado geraram spin-offs – lançamento de uma solução que se transforma em um negócio separado, a partir de uma empresa já existente. Em tecnologias verdes, por exemplo, algumas soluções para a agricultura ou para a gestão de resíduos desenvolveram braços de atuação para acolher o aquecimento do mercado de carbono”, analisa Mariana, acrescentando que 84% dos negócios têm fins lucrativos.
# MODELO DE NEGÓCIO & COMERCIALIZAÇÃO
Quarenta por cento dos negócios têm por modelo a venda direta, seguidos por prestação de serviços (36%); venda direta única (32%); e assinatura (29%). Os demais são: 18% doações, patrocínios, premiações ou editais; 17% Software como Serviço (SAAS - Software as a service); 17% Comissão/Success fee; 13% publicidade; 9% licenciamento de marca e produtos/franquia; 9% plataforma como serviço (PAAS Platform as a service); 4% micropagamentos; 3% royalties; e 2% inteligência artificial como serviço (AIAAS - Artificial Intelligence as a Service).
No modelo de comercialização, 59% são empresas que vendem para empresas (B2B - business to business); 36% são empresas que fazem parceria com outras empresas para chegarem ao consumidor (B2B2C - business to business to consumer); 33% as cujo consumidor final é o público-alvo das vendas de produtos ou serviços (B2C - business to consumer); 26% com venda para organismos públicos, licitações e pregões eletrônicos etc. (B2G - business to government); 18% com venda de produto/serviço para institutos ou fundações; e 10% com negociação direta entre os próprios consumidores (C2C - consumer to consumer).
Entre os modelos de monetização, a variação maior ficou para a queda de negócios apostando em publicidade e o crescimento de soluções de base tecnológica como o SAAS, o que demonstra novamente mais maturidade de pipeline. Os modelos B2B saltam à frente no mapeamento 2023 como os mais recorrentes entre os empreendedores. Em estudos anteriores havia mais paridade com os modelos B2C (em 2021, eram 48% e 45%, respectivamente). De certa forma, um pipeline mais maduro trouxe também esse destaque, assim como o crescimento do B2B2C. Os dois formatos também tendem a apontar um desejo dos investidores – que visam a modelos B2B –, assim como mais abertura das empresas para consumir e/ou investir em negócios de impacto.
:: FINANCIAMENTO
Entre os mecanismos de financiamento, 30% dos negócios apontam que foram oriundos de participação (equity); 28%, de empréstimo; e 13%, de dívida conversível. Sobre as fontes de financiamento, na base de 615 negócios, a maioria (65%) investiu recursos próprios; 27% de FFF (amigos/familiares/fãs); 23% de sócio-investidor; 17% de incubadoras/aceleradoras; 17% de institutos/fundações; 17% de instituições públicas/governo ou bancos multilaterais; 13% de bancos comerciais privados; 12% de empresas privadas/corporate venture; 12% de investidor-anjo profissional; 8% de bancos de fomento; 6% de outros fundos e mecanismos de crédito de impacto; 5% de fundos de venture capital; 4% de Crowdfunding; 3% de Crowdequity/Crowdlending; e 1% de fundos de private equity.
Com mais negócios ganhando maturidade no pipeline, houve o crescimento de investimentos no modelo de equity: que pode apontar a chegada de mais investidores profissionais aos negócios de impacto. E, também, a variedade de bolsos e composição de mecanismos que podem apontar para um fortalecimento dos negócios. Os dados de fonte de financiamento, em contrapartida, demonstram certo desconhecimento por parte dos empreendedores sobre os termos e modelos de financiamento. Por outro lado, eles corroboram o dado sobre o aumento de equity com, especialmente, o crescimento de sócios-investidores (o dado cresceu de 12%, em 2021, para 23%).
“Nos chama atenção o número de negócios, 30%, que nunca recebeu nenhum tipo de financiamento. Por outro lado, dos 70% dos negócios que receberam, a maioria (52%) foi por via de doação. Nós, do Instituto Helda Gerdau, enxergamos no capital filantrópico um imenso potencial de ajudar os negócios em estágio inicial a amadurecerem, crescerem, ganharem escala e conseguirem outras fontes de captação. Acreditamos na importância do capital catalítico para a construção de mais e melhores negócios de impacto!", analisa Carolina Hermeling, executiva do Instituto Helda Gerdau, um dos patrocinadores do estudo.
:: CAPTAÇÃO
Entre os negócios mapeados, 48% estão captando; 35% ainda não, mas têm intenção; e 5% não estão e não têm intenção. Entre os que estão captando, 47% buscam até R$ 500 mil – valor considerado baixo para o mercado de investimento em startups, por exemplo. “Ressaltamos que há 35% com a intenção de captar, sem ainda estar captando. Ou seja, os empreendedores começam a entender a ideia de se preparar melhor para a captação e, também, começam a aparecer captações maiores, desejos de valores acima de R$ 10 milhões, mais típicos de negócios maduros. Por outro lado, há grande concentração de captação que ainda se dá entre R$ 50 mil e R$ 1 milhão”, analisa Mariana Fonseca, acrescentando que a análise sobre financiamento ressalta duas tendências: a manutenção das fontes de financiamento não reembolsáveis (doações, subvenções, prêmios) como pilar fundamental – principalmente para negócios menos maduros – e o aumento, em relação ao mapeamento anterior, de financiamento via participação acionária. “É provável que isso seja resultado de termos no pipeline empresas mais maduras, com faturamento crescente, capazes de atrair investidores de fundos de investimento que trabalham tíquetes maiores”, aponta.
# TECNOLOGIA E INOVAÇÃO
A base de 1.011 negócios mostra que as tecnologias emergentes mais empregadas pelas soluções são: 23% Big Data; 22% Inteligência Artificial; 17% Geolocalização; 15% Machine Learning; 14% Chatbot; 13% Biotech; 12% Internet das Coisas; 11% energias renováveis; 9% Sensores; 8% Blockchain; 8% Data mining; 6% Deep Learning; 5% redes neurais; 4% drones; 4% moedas virtuais; 4% computação cognitiva; 3% Impressão 3D; 3% Realidade Aumentada; 3% Realidade Virtual; 3% Robótica; 3% Visão computacional; 2% Realidade Mista; 2% Wearables; 1% Engenharia Genética; e 1% Nanotecnologia.
Os setores de inovação têm 52% de tecnologias verdes (green techs); 40% de cidadania (civic tech); 31% de educação (edtech); 22% cidades (smart cities); 17% de saúde (health tech); e 13% finanças (fintech).
Sobre patentes, 10% reportam que estão iniciando um processo de estudo/pesquisa para pedir patente; 7% iniciaram um processo de pedido de patente; e 10% já têm. Realidade aumentada e robótica são mais recorrentes (três de 10) entre as soluções de educação, assim como os wearables aparecem em três de 10 negócios em saúde. Já as soluções verdes lançam mão do uso de biotech, energias renováveis e nanotecnologias (cinco de 10). Os negócios que tendem a ter mais patentes são os de tecnologias verdes, quatro de 10. Eles também são os que, em geral, já iniciaram ou estão em processo de pedido de patente. Educação e Cidadania são as temáticas cuja demanda por patentes menos se aplica a soluções.
# DEMANDAS DOS EMPREENDEDORES
Questionados sobre as ajudas necessárias para o negócio, as cinco principais são: 41% apontam dinheiro; 20% parcerias e networking; 20% vendas; 18% comunicação; e 17% apoio com time/equipe. Em relação aos Mapas anteriores, há um crescimento nas demandas por ajuda com vendas e estruturação de time/equipe. Sobem, também, os pedidos por ajuda com tecnologia (7% em 2023). “Quanto mais qualificados, mais específicos são os pedidos dos empreendedores. Com exceção do dinheiro, que parece genérico, os demais crescimentos mostram um desejo por propostas de valor claras de ajuda e uma oportunidade para organizações intermediárias. Aceleração, por exemplo, está com 3%, mas boa parte das demandas de ajuda tratam de pautas abordadas e contidas nas propostas de valor de acelerações”, aponta Anna de Souza Aranha.
METODOLOGIA | O Mapa de Negócios de Impacto Socioambiental é composto a partir de uma chamada nacional focada em empreendedores que lideram negócios de impacto socioambiental. Entre maio e agosto de 2023, mais de 66 organizações do ecossistema e cinco patrocinadores se mobilizaram para falar diretamente com 2.187 empreendedores. Foram realizados sete eventos de apoio e conexão, que resultaram em 1.036 cadastros com dados autodeclarados e respostas a 65 questões. Os dados coletados foram analisados, tendo por base conceitual o estudo O que são negócios de impacto (Aliança pelos Investimentos e Negócios de Impacto, com análise da Pipe.Social, 2019). A infografia e os dados destacados no mapeamento têm base final de 1.011 negócios de impacto operacionais.
As estatísticas foram produzidas a partir do cruzamento de dados coletados em 2023 e da leitura comparativa com as bases de Mapas anteriores (2019 e 2021), tendo uma margem de erro de três pontos percentuais e um nível de confiança de 95% para leituras na amostra geral. No campo qualitativo – por meio de conteúdos digitais disponibilizados por parceiros e organizações nacionais e internacionais de negócios de impacto –, a equipe da Pipe.Social analisou as falas recorrentes e tendências apontadas pelos empreendedores, repercutindo-as via escuta de 14 especialistas (entrevistas em profundidade). Como resultado, a edição 2023 do Mapa de Negócios de Impacto Socioambiental traz uma retrospectiva e movimentações dos últimos dois anos do campo; perfil dos empreendedores e dos negócios de impacto socioambiental brasileiros; tendências e recomendações que emergem do ecossistema.
PIPE.SOCIAL | A pesquisa e a inteligência na leitura de dados e cenários são a vocação da Pipe.Social – startup especializada em pesquisa e análises de negócios de impacto social e ambiental do Brasil e da América Latina. Fundada em 2016 por Mariana Fonseca, um dos principais produtos de conhecimento é o Mapa de Negócios de Impacto Socioambiental, que compõe a vitrine de negócios Pipe.Social. Desde 2016, produz estudos sobre o setor de impacto socioambiental no Brasil, publicando mapeamentos, desenvolvendo taxonomias e ferramentas para apoiar o ecossistema e o empreendedor em sua jornada. A empresa se tornou referência sobre o setor no país e, via Pipe.Labo, criou um centro de estudos e conhecimento aplicado sobre o mercado de impacto socioambiental no Brasil. Mais informações e estudos: www.pipelabo.com.
QUINTESSA | Ecossistema de soluções empreendedoras e inovadoras para os desafios sociais e ambientais centrais do país, o Quintessa trabalha, desde 2009, pela integração estratégica entre o impacto positivo e o resultado financeiro, atuando em parceria com empreendedores de negócios de impacto, grandes empresas, investidores, institutos e fundações para promover as agendas de inovação, impacto positivo e ESG. Mais informações: www.quintessa.org.br.
terça-feira, 24 de outubro de 2023
Setores Públicos e Privados Convergem Para Reduzir o Risco Brasil na Cadeia do Trigo
Trabalho conjunto entre a Receita Federal, MAPA, Abitrigo e Sindustrigo resultou em mudanças que oferecem mais agilidade aos processos de recebimento do grão no Porto de Santos e, futuramente, nos demais portos brasileiros
Uma decisão publicada no Diário Oficial da União no dia 20 de setembro pela Alfândega, aliada a procedimentos de agilidade nos controles realizados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), pretende acelerar os processos relacionados às cargas de trigo provenientes do Mercosul no Porto de Santos (SP).
De acordo com a portaria, duas importantes modificações nas operações de recebimento do grão que chega ao porto agilizarão o desembaraço aduaneiro do trigo, que antes era mais moroso, devido a alguns processos burocráticos que foram alterados na decisão.
Com essa mudança publicada no Diário Oficial, a autorização de descarga direta do trigo recebida no porto, por parte da Receita Federal, teve o tempo máximo reduzido de 48 horas para 6 horas, fazendo com que o cereal recebido no Porto de Santos não tenha mais como obrigatoriedade ser armazenado nos chamados silos alfandegados, podendo ser direcionado diretamente ao destino, após a liberação conduzida pela Receita.
Além disso, o Ministério da Agricultura e Pecuária já vinha trabalhando no sentido de revisar e agilizar seus processos de controle fitossanitário.
As ações conjuntas do MAPA e da Alfândega, associadas ao sistema de solicitação desembaraço, possibilitarão desafogar o porto e evitar frequentes custos de espera dos navios (demurrage) e movimentação dos grãos.
“A parte burocrática da liberação das cargas de trigo recebidas pelo Porto de Santos era um grande gargalo para o setor moageiro nacional, tendo em vista que o tempo em que o cereal aguarda no ancoradouro gerava altos custos, o que, num cenário como o vivido pelo grão nos últimos anos, tornava a atividade inviável, refletindo diretamente nos valores praticados aos consumidores em produtos derivados, como no pão e nas massas”, afirma o Presidente-Executivo da Associação Brasileira das Indústrias do Trigo (Abitrigo), Rubens Barbosa.
O trigo no Porto de Santos
De acordo com estimativas da Abitrigo, o Porto de Santos possui a maior movimentação de trigo proveniente do Mercosul no país, com volume de importação de cerca de 1,2 milhão de toneladas de trigo por ano.
“Pelo crescimento da movimentação portuária de exportação de outros produtos, como soja, milho e açúcar, perdemos espaço para o recebimento de trigo nos últimos anos, registrando uma redução de aproximadamente 81 mil toneladas em silos alfandegados só em 2022, além da perda de um cais. Com essa nova decisão, o setor do trigo passa a ter mais espaço, além do porto poder operar com mais serenidade”, explica Barbosa.
Segundo a entidade, essa portaria foi muito comemorada pelo setor, pois o projeto foi construído por meio da parceria e colaboração da Receita Federal e o MAPA, alinhados com a Abitrigo e o Sindicato da Indústria do Trigo de São Paulo (Sindustrigo).
“Sem dúvida, essa decisão é uma amostra de que, quando o setor público e o privado trabalham em conjunto, os ganhos se refletem na sociedade. Essas medidas serão sentidas na ponta da cadeia, pelos consumidores, com a possível redução de custos em alimentos derivados do trigo”, finaliza Barbosa.
O MAPA aponta que este projeto piloto no Porto de Santos servirá como base de expansão aos demais portos brasileiros, multiplicando os benefícios conquistados.
segunda-feira, 23 de outubro de 2023
Crise do Lixo: COMURG é Inviável é Vai Quebrar a Prefeitura de Goiânia
Entra gestão e sai gestão e a população de Goiânia continua sofrendo com problema de coleta de lixo. O BLOG DO CLEUBER CARLOS vai detalhar com excluisividade o problema da coleta de lixo na capital. A situação é mais grave do que parece. A Comurg está quebrada por conta da folha de pagamento altissima e de funcionários concursados que geram alguns absurdos, como por exemplo, um motorista de caminhão ganhar até 25 mil reais por mês.
A origem do problema
Em 2005, assim que assumiu a prefeitura de Goiânia, o ex-prefeito Iris Rezende Machado, resolveu acabar com o contrato de tercerização do serviço de recolhimento do lixo na capital que era realizado pela Qualix nas gestões de Nion Albernaz e Pedro Wilson.
Iris cancelou o contrato com a QUALIX e autorizou a realização de concurso público para contratação de pessoal para que a Comurg passasse a executar o serviço de recolhimento de lixo na capital.
Com o passar dos anos, a folha de pagamento da Comurg foi crescendo de forma a invializar a empresa por completo. Hoje a folha de pagamento da comurg com pessoal é na ordem de 36 milhões de reais, sendo apenas 2 milhões de reais de comissionados.
A comurg acumula um dívida com impostos federais de mais de 1 bilhão de reais, embora caiba discussão judicial por se tratar de um empresa pública, mas a dívida existe e a receita continua cobrando.
No fim de 2020 para o inicio de 2021, a comurg passou a ser uma empresa deficitária por conta da sua folha de pagamento. Em 2021 o ex-presidente da empresa, Alex Gama, firmou um contrato com a prefeitura de Goiânia no valor de 47 milhões de reais, valor este que seria suficiente para a empresa continuar suas atividades. No entanto, foi cometido um erro grave, o contrato envolvia secretárias que não tinha dotação orçamentaria para a celebração do convênio. Desta forma, somente a SEINFRA cumpriu com sua parte no contrato, algo em torno de 33 milhões de reais por mês. Desde então, a empresa vem acumulando um deficit de 14 milhões de reais mensais durante o ano de 2022, deixando de pagar fornecedores e impostos.
Em março de 2023 foi celebrado um novo contrato com a prefeitura de Goiânia no valor de 41 milhões de reais. Por falta de saldo financeiro, este contrato se encerrou em julho deste ano. Em agosto e setembro, a COMURG ficou sem receita e sem condições de pagar os fornecedores de combustível e manutenção dos veiculos. Em outubro o serviço colapsou e o lixo se acumulou pelas ruas da capital.
A comurg tem uma dívida de mais de 150 milhões de reais com fornecedores.
De forma emergencial a prefeitura de Goiânia celebrou novo contrato com a comurg no valor de 56 milhões de reais para tentar amenizar a crise do lixo. Este valor é insuficiente para pagar as dívidas da empresa. O passivo acumulado é muito grande.
Hoje a prefeitura gasta em torno de 600 milhões de reais por ano com a Comurg. Um empresa invíavel que acumula dívida ano após ano. Se uma medida drástica não for tomada, a Comurg vai acabar quebrando a prefeitura de Goiânia.
O atual prefeito Rogério Cruz, pretende diminuir o tamanho da comurg e tercerizar a coleta de lixo.
Somente com a tercerização do serviço de coleta de lixo a prefeitura consegue economizar cerca de 160 milhões de reias por ano. É perfeitamente possível fazer uma licitação da coleta do lixo, onde empresas privadas executam o trabalho por 500 milhões por ano. Hoje a prefeitura gasta 660 milhões e o serviço é de pessímma qualidade.
Não existe medida administrativa capaz de salvar a comurg da falência. Rogério Cruz não tem coragem para tal, mas o próximo prefeito de Goiânia vai ter que acabar com a comurg.
Iris Rezende Machado condenou a COMURG a falência quando cancelou o contrato de tercerização do lixo na capital e determinou a realização de concurso público para a empresa fazer a coleta do lixo. Foi uma pessíma decisão a longo prazo. O tempo se encarregou de provar isso.
Um exemplo classico de como os politicos são incompetentes e sua incompetencia gera resultados danosos para a população foi o cancelamento da licitação do lixo que estava previsto para o primeiro semestre. A licitação foi cancelada por conta de alguns vereadores da Câmara Municipal de Goiânia com interesses políticos e financeiros.
Governador de Goiás Caiado Comprou Equipamento israelense Para Grampear, Rastrear e Espionar Adversários Políticos e Jornalistas
“Após revelações do caso Fábio Escobar, o gabinete do ódio de Caiado me grampeou ilegalmente”, diz jornalista
No final da última semana a Agência Pública revelou que o governo Caiado adquiriu um programa israelense de espionagem da Cognyte, por R$ 15 milhões, em 2020. O mesmo que caiu na Operação Última Milha, desencadeada pela Polícia Federal nesta sexta-feira (20). O programa israelense de espionagem da Cognyte, por R$ 15 milhões, em 2020. O mesmo que caiu na Operação Última Milha, desencadeada pela Polícia Federal nesta sexta-feira (20).domingo, 22 de outubro de 2023
Preço da gasolina e do etanol ficam mais baratos no Sudeste, mas variação de recuo é a menor de todo o País, aponta Edenred Ticket Log
Valor do litro dos combustíveis na região foram os mais baratos na média nacional na primeira quinzena deste mês
A última análise do Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), levantamento que consolida o comportamento de preços das transações nos postos de combustível, trazendo uma média precisa, apontou que na primeira quinzena deste mês, o litro da gasolina foi encontrado na Região Sudeste a R$ 5,80, após recuo de 0,51%, ante setembro. Já o preço do etanol reduziu 0,27% e foi encontrado a R$ 3,67. Essas foram as menores médias do País para os combustíveis, com o contraponto das menores variações de recuos, quando comparados com outras regiões brasileiras. No caso da gasolina, os postos do Sudeste só perdem para os do Centro-Oeste, onde o combustível apresenta uma variação de queda de 0,33%. Na análise local do comportamento do preço do diesel, o tipo comum foi comercializado a R$ 6,06 após aumentar 0,17% se comparado a setembro, enquanto o tipo S-10 foi vendido a R$ 6,27, com alta de 0,16%.
“São Paulo segue no topo do ranking do menor preço médio para todos os combustíveis na região, e lidera na menor média nacional para a gasolina, comercializada a R$ 5,74. Já quando analisamos o comportamento de preço do etanol, vale observar que em toda a Região Sudeste ele é a opção mais econômica, quando comparado ao valor médio do litro da gasolina, além de ser ecologicamente mais vantajoso por ser capaz de reduzir consideravelmente as emissões de gases responsáveis pelas mudanças climáticas”, aponta Douglas Pina, Diretor-Geral de Mobilidade da Edenred Brasil.
O IPTL é um índice de preços de combustíveis levantado com base nos abastecimentos realizados nos 21 mil postos credenciados da Edenred Ticket Log, que tem grande confiabilidade, por causa da quantidade de veículos administrados pela marca: 1 milhão ao todo, com uma média de oito transações por segundo.
A Edenred Ticket Log, marca da linha de negócios de Mobilidade da Edenred Brasil, conta com mais de 30 anos de experiência e se adapta às necessidades dos clientes, oferecendo soluções eficientes e sustentáveis, a fim de simplificar os processos diários.
sábado, 21 de outubro de 2023
Caso Fábio Escobar: “Vão tentar culpar Marcio Cabeção. Vão tentar misturar com a morte do fazendeiro. É só esquecer o nome do Jorjão”
Caso Fábio Escobar: “Vão tentar culpar Marcio Cabeção. Vão tentar misturar com a morte do fazendeiro. É só esquecer o nome do Jorjão”
Publicado em: 21/10/2023 Por: RedaçãoO santo pode ficar despreocupado. Não sou louco de revelar seu nome. Mas seria um crime ver o milagre acontecer diante dos meus olhos e ficar quieto. Embora a história completa esteja segura com os nomes de todos os santos, e portanto, se algo acontecer comigo ou com minha família, serão amplamente divulgados.
Desde quando começou a cobrir o caso Fábio Escobar, o Goias24horas recebeu propostas comerciais de políticos e empresários ligados a eles. Ofereceram valores inacreditáveis pelo site, ou por uma porcentagem dele. “Não está a venda”, respondi com educação a todos eles. Aliás, esse dinheiro não deve ser limpo.
Por último fomos procurados por várias pessoas para tratar diretamente do caso Fábio Escobar. O ‘intermediário’ afirmou que a divulgação de um print de uma mensagem onde Fábio Escobar pediu ao governador Ronaldo Caiado que deixasse ele cuidar de sua família, que estava com medo e que comunicasse isso ao Jorge Caiado, tinha abalado o governo. Que agora era hora do G24H ganhar uma boa grana. “Só dizer o valor. Quanto vocês querem? Os empresários que ajudaram na campanha do Caiado estão preocupados. Coloque o nome do Márcio Cabeção na história, ele deve estar envolvido no caso ‘fazendeiro’, por ciúme do Roberto. Quem está em um, está em dois. É só esquecer o nome do Jorjão”.
Não aceitamos. Jamais.
É incrível como agora apareça um site com tanta narrativa sobre delação de um dos policiais presos, que pode ter mentido ou falado a verdade, e a história dos empresários. Só falta escrever o nome do tal Cabeção.
O Goiás24horas acredita na justiça. Junta-se a dor da família ao ver políticos poderosos criarem outra narrativa, sabe-se lá por quanto, para tentar justificar a morte de 7 pessoas, entre elas uma mulher grávida de 7 meses, e do próprio Fábio Escobar, ex-coordenador da campanha eleitoral de Caiado, que denunciou corrupção no governo, revelou que estava sofrendo perseguição, apontou nomes do Palácio, de um parente do governador, e por fim foi morto em uma emboscada.
Confiamos na justiça. No colegiado que vai julgar o caso. Na lealdade e integridade de nossos juízes. Justiça! Força José Escobar, homem forte, que não tem mais lágrimas para chorar e ainda tem que ver um site da cidade agir covardemente, matando seu filho outra vez.
Cristiano Silva
Editor
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sexta-feira, 20 de outubro de 2023
"Modelo de aplicação dos royalties do petróleo derruba índices de cidades cariocas", alerta cientista político
Para o diretor da Agenda Pública, uso dos recursos de forma pouco estratégica e imediatista ajudam a explicar baixos índices de desempenho dos serviços públicos de diversas cidades; ONG lançou estudo que avaliou mais de 40 indicadores da gestão pública municipal
A aplicação pouco estratégica dos royalties do petróleo por parte de municípios do estado do Rio de Janeiro tem afetado negativamente os índices relacionados a áreas da educação, saúde, proteção social, mobilidade e gestão. É o que avalia Sergio Andrade, cientista político e diretor da Agenda Pública.
“Os municípios do Rio de Janeiro estão aplicando os royalties do petróleo e gás em projetos de curto prazo que podem significar aumento de custeio. Apesar de exemplos positivos, no estado, é possível identificar claramente casos de aplicação dos recursos do petróleo de forma pouco estratégica e imediatista, o que afeta o desenvolvimento dos municípios beneficiados, no médio e no longo prazos. Investimentos estratégicos procuram mitigar desigualdades existentes, sem descuidar do futuro, apostando em diversificação econômica, infraestrutura e educação, por exemplo”, afirma o cientista político.
A ONG (Organização Não Governamental) Agenda Pública, que auxilia prefeituras e empresas pelo país a cooperarem na formulação de políticas públicas, lançou estudo com base em dados disponíveis em plataformas oficiais sobre os 20 municípios brasileiros que mais receberam rendas, seja de royalties ou participações especiais das atividades de petróleo e do gás natural, entre 2022 e o primeiro semestre de 2023 (em torno de R$ 23,11 bilhões no total). São 19 cidades cariocas e uma paulista (Ilhabela).
Andrade explica que os recursos oriundos do petróleo e gás são a principal receita das cidades analisadas, na maior parte dos casos. A extração de petróleo movimenta a economia de maneira indireta e direta. “Além das receitas exclusivas, impostos, taxas e contribuições municipais decorrentes do conjunto de atividades vinculadas, as rendas do petróleo e gás financiam de modo direto grande parte da atividade pública, serviços e infraestruturas existentes nessas localidades. Há uma importância central da indústria de petróleo e gás e impactos positivos e negativos nesses municípios”, ressalta.
Para o especialista, é essencial que as empresas envolvidas no setor adotem medidas compensatórias e mitigatórias, tal como previsto nos termos de licenciamento socioambiental adotados pelo país. Contudo, é necessário ir além da conformidade. “As empresas têm deixado a desejar. Para elevar a performance dos municípios, conforme verificado na pesquisa, seria necessário atuar para o desenvolvimento de capacidades institucionais para a prestação de serviços públicos com maior qualidade, bem como para criação de estratégias de desenvolvimento econômico de longo prazo orientadas para a transição justa para a economia de baixo carbono”, afirma.
O que os números mostram
A pesquisa “Petróleo e Condições de Vida: qualidade da governança pública em municípios com atividades de Petróleo e Gás”, elegeu os 20 municípios brasileiros com as maiores receitas oriundas do petróleo e do gás.
As cidades foram divididas em três grupos: municípios com mais de 300 mil habitantes; municípios com 100 mil a 300 mil habitantes; e municípios com até 100 mil habitantes. No grupo com as maiores populações, Duque de Caxias amargou a última colocação com uma nota de 2,96 na média relacionada aos serviços prestados aos munícipes. A sua nota mais baixa foi na área de educação (0,86) e a média foi compensada pela nota em gestão de qualidade (6,31). O ranking geral do grupo é liderado por Niterói (5,69) e composto ainda pelo Rio de Janeiro (4,71) e Campos de Goytacazes (3,26).
Já a cidade de Magé conta com a pior nota no grupo intermediário, calculada em 3,57. Seu pior índice foi em proteção social (2,20) e o maior foi em gestão de qualidade (5,03). O ranking geral do grupo conta com Macaé (5,28), Maricá (5,27), Angra dos Reis (4,97), Rio das Ostras (4,96) e Cabo Frio (3,99).
Por fim, no grupo com população até 100 mil habitantes, a pior colocação foi a de Paraty com a nota 4,83. A cidade recebeu teve o pior índice na área de mobilidade urbana (3,20) e o melhor em desenvolvimento econômico (6,16). A lista geral do grupo contém os municípios de Ilhabela (7,02), Arraial do Cabo (6,20), Iguaba Grande (6,17), São João da Barra (5,76), Casimiro de Abreu (5,52), Armação dos Búzios (5,44), Quissamã (5,40) e Saquarema (4,99).
Entre as principais empresas de petróleo e gás que operam no pré-sal brasileiro, estão a Petrobras (principal operadora do pré-sal brasileiro), Equinor, Shell, Repsol Sinopec (joint venture) e TotalEnergies. Além dessas empresas, também estão envolvidas nas operações do pré-sal brasileiro BP, Petrogal (Galp Energia), Enauta, PetroRio e Dommo.
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