quarta-feira, 21 de outubro de 2026

O PREFEITO, OS DOIS VEREADORES E O LEILÃO DA PRÓPRIA SOBREVIVÊNCIA

Em uma cidade que não existe, um prefeito que nunca existiu descobre que seu mandato pode acabar por causa de dois votos. Começa, então, uma operação de emergência: salvar o próprio pescoço, custe o que custar — principalmente aos cofres públicos.

Era uma vez um prefeito que governava uma cidade que todo mundo sabia da vida de todo mundo, menos do destino do dinheiro público.

Certo dia, recebeu uma notícia devastadora: faltavam apenas dois votos para mandar seu mandato para o cemitério político.

O homem entrou em desespero. Chamou assessores, advogados, secretários e até um conhecido especialista em milagres eleitorais.

— Precisamos conquistar dois vereadores! — gritou, enxugando o suor.

O primeiro assessor sugeriu diálogo. Foi demitido imediatamente.

O segundo propôs oferecer cargos, secretarias, diretorias e empregos para parentes até o terceiro grau. Ganhou um abraço.

O terceiro teve uma ideia considerada genial:

— Prefeito, ofereça uma secretaria inteira para cada um!

— Só isso? — respondeu o chefe. — Acrescente carros oficiais, combustível, contratos e liberdade para indicar quem quiser!

Começou então o grande leilão da sobrevivência.

Para o primeiro vereador, ofereceram uma secretaria, três diretorias e uma coleção de cargos comissionados.

Para o segundo, a proposta foi ainda mais generosa: uma secretaria com porteira aberta, contratos futuros e o direito de escolher até a cor das cortinas do gabinete.

Mas havia um problema. Os dois vereadores não demonstravam entusiasmo.

O prefeito aumentou a oferta.

— Dou mais duas secretarias!

Silêncio.

— Uma autarquia!

Nada.

— Metade da prefeitura!

Um assessor cochichou:

— Prefeito, desse jeito não sobra nada para administrar.

O chefe respondeu:

— Administrar para quê? Primeiro preciso continuar prefeito!

Naquela noite, o homem dormiu abraçado ao telefone, esperando a ligação salvadora.

Enquanto isso, os dois vereadores tomavam café tranquilamente, observando o espetáculo.

Um deles comentou:

— Engraçado como a prefeitura ficou generosa justamente agora.

O outro respondeu:

— Pois é. Pena que essa generosidade nunca apareceu quando pedimos melhorias para a população.

Moral da história: quando o mandato entra em liquidação, há prefeito que oferece até a chave da prefeitura. Só esquece de um detalhe: o prédio, os cargos e o dinheiro não são dele.

Esta é uma obra inteiramente fictícia e satírica. Personagens, cidade, diálogos e acontecimentos são imaginários, sem referência a pessoas ou fatos específicos.


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