
Goiás ocupa o primeiro lugar no ranking nacional de laboratórios de processamento de cocaína. O dado consta no estudo “Floresta em Pó”, elaborado por organizações nacionais e internacionais, com participação do Instituto Fogo Cruzado.
Entre janeiro de 2019 e julho de 2025, foram identificadas 550 estruturas de processamento de cocaína no Brasil. Desse total, 125 estavam em território goiano — 22,7% de todos os locais mapeados no país. Na prática, quase um em cada quatro laboratórios foi encontrado em Goiás.
O número coloca o estado muito à frente do Amazonas, segundo colocado, com 42 estruturas. São Paulo aparece com 37; Minas Gerais, com 34; e Mato Grosso, com 29.
A gravidade não está apenas na quantidade. Entre os laboratórios encontrados em Goiás, 44 foram classificados como estruturas de alta capacidade produtiva: 20 voltados ao refino da cocaína e 24 destinados à adulteração ou “engorda”, processo em que outras substâncias são adicionadas para aumentar o volume comercializado.
O estudo aponta que Goiás se tornou um ponto estratégico da chamada Rota Caipira. Parte da pasta-base que entra no Brasil por Mato Grosso e Mato Grosso do Sul seria transportada para território goiano, onde passa por processamento antes de seguir para mercados consumidores e portos das regiões Sudeste e Nordeste.
Os dados foram reunidos a partir de informações oficiais, pedidos feitos por meio da Lei de Acesso à Informação, registros de operações policiais e notícias publicadas pela imprensa.
O Governo de Goiás argumenta que a quantidade elevada também seria resultado da atuação das forças de segurança na descoberta e no desmantelamento dessas estruturas.
O contraponto é legítimo, mas não elimina o dado central: durante o período analisado, nenhum outro estado brasileiro concentrou tantos laboratórios de processamento de cocaína quanto Goiás. Antes de apresentar sua segurança pública como modelo para o Brasil, o governo precisa explicar por que o estado se tornou o principal ponto do mapa nacional do refino e da adulteração da droga.
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