
Antes do terno, veio a enxada.
Antes dos gabinetes, os lotes que precisava ajudar o avô a capinar.
E muito antes de imaginar que um dia disputaria uma das duas vagas de Goiás no Senado Federal, Iure Castro era um menino de oito anos que já conhecia o peso do trabalho.
Foi ao lado do avô Olavo que começou. Enquanto os dois capinavam lotes, o avô repetia uma frase simples, dessas que atravessam décadas:
“O livro é mais leve que a enxada.”
Iure parece ter levado o conselho a sério.
Nascido em Goiânia, filho de mãe solo pernambucana e neto de trabalhadores rurais, ele cresceu estudando em escola pública e dependendo do SUS. Ainda menino, vendeu picolés no Setor Garavelo. Mais tarde, vendeu espetinhos em Campinas. Também trabalhou como estoquista, vendedor, recepcionista e menor aprendiz.
A mudança não aconteceu de uma vez.
Veio pelos estudos.
Iure tornou-se o primeiro da família a concluir a educação básica e chegar à faculdade. Formou-se em Direito, tornou-se advogado, professor, mestre em Direito Constitucional e servidor público concursado. Chegou ao comando da Procuradoria-Geral da Assembleia Legislativa de Goiás.
Agora, aos 42 anos, dá o salto mais ousado de sua trajetória.
Sem nunca ter disputado uma eleição, Iure de Castro Silva colocou seu nome diretamente na corrida pelo Senado Federal, pelo Cidadania. Seu registro está deferido e ele concorre com o número 234.
É uma estreia incomum.
Iure não carrega sobrenome de família tradicional da política goiana e não possui mandato para apresentar ao eleitor. Em entrevista recente, resumiu a própria candidatura dizendo que o “filho do pobre” não precisa estabelecer limites para seus sonhos.
Sua candidatura será julgada nas urnas.
Mas existe uma imagem que talvez explique melhor sua trajetória do que qualquer discurso eleitoral.
De um lado, o menino segurando uma enxada. Do outro, o homem que estudou Direito e agora pede ao eleitor uma cadeira no Senado.
No meio dos dois permanece o conselho do avô Olavo.
O livro realmente era mais leve.
Só que ninguém disse que o caminho seria fácil.
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