CASO LESSANDRO | Após a morte de Andreia Vieira Gaspar, de 51 anos, depois de mais de oito horas de procedimentos estéticos, novas pacientes começaram a relatar publicamente problemas, sequelas e insatisfação com cirurgias atribuídas ao médico Lessandro Martins. Uma delas afirmou à Record que recebeu um fio de sustentação no rosto sem autorização. Reclamações contra o profissional também já apareciam na internet antes da morte da empresária. Médico nega irregularidades e diz colaborar com as investigações.
A morte de Andreia Vieira Gaspar pode ter aberto uma porta que até então permanecia fechada.
Depois que o caso ganhou repercussão nacional, outras mulheres começaram a aparecer.
E começaram a falar.
Relatos de sequelas.
Resultados insatisfatórios.
Procedimentos contestados.
Problemas que algumas pacientes dizem carregar no próprio rosto.
O que inicialmente era a investigação da morte de uma empresária de 51 anos depois de uma extensa cirurgia estética em Goiânia começa agora a ganhar uma dimensão diferente.
A pergunta já não é apenas:
o que aconteceu com Andreia?
Surge outra:
existem outras pacientes que também tiveram problemas após procedimentos realizados pelo mesmo médico?
A resposta começou a aparecer publicamente.
NOVAS PACIENTES RELATAM PROBLEMAS
Reportagem exibida pela Record mostrou uma paciente relatando sequelas depois de procedimentos realizados com Lessandro Martins.
A mulher afirmou ter passado por duas cirurgias com o médico e disse não ter ficado satisfeita com nenhuma delas.
Mas fez uma acusação ainda mais séria.
Segundo seu relato, durante um dos procedimentos teria sido colocado em seu rosto um fio de sustentação sem que ela tivesse autorizado previamente a intervenção.
A afirmação é da paciente e ainda precisa ser confrontada com prontuários, termos de consentimento e a versão completa da equipe médica.
Mas ela não foi a única a aparecer.
Depois da repercussão do caso Andreia, outros relatos começaram a circular nas redes sociais.
Mulheres passaram a publicar fotografias e mensagens questionando resultados de procedimentos atribuídos ao médico.
O silêncio começou a ser rompido.
AS RECLAMAÇÕES NÃO COMEÇARAM AGORA
E existe um detalhe importante.
Os questionamentos públicos envolvendo Lessandro Martins não surgiram somente depois da morte de Andreia.
Registros no Reclame Aqui mostram reclamações publicadas ainda em 2023.
Em uma delas, uma paciente relata problemas depois de uma rinoplastia e afirma que suas narinas teriam ficado excessivamente fechadas, além de reclamar de alterações no sorriso e da necessidade de correção posterior.
Outro relato, publicado por familiar de uma paciente, também apresenta críticas ao resultado e ao acompanhamento pós-operatório.
São relatos de usuários.
Não representam perícia médica.
Não significam condenação.
Mas demonstram que reclamações públicas relacionadas ao resultado de procedimentos já existiam anos antes da morte que agora está sendo investigada.
DEPOIS VEIO ANDREIA
Andreia saiu da Espanha e veio para Goiânia em busca de procedimentos estéticos.
Pagou aproximadamente R$ 118 mil.
Segundo informações apresentadas pela família, foram realizados seis procedimentos no rosto durante uma operação que ultrapassou oito horas.
Depois da cirurgia, Andreia não foi para uma UTI.
Foi levada para um quarto.
A irmã afirma que logo percebeu que alguma coisa estava errada.
A língua estava extremamente inchada.
Andreia não conseguia fechar a boca.
A família diz ter alertado a equipe.
Horas depois, o quadro se agravou.
Andreia entrou em colapso.
As tentativas de reanimação não conseguiram salvá-la.
Ela morreu em 12 de agosto.
A PERGUNTA SOBRE A UTI CONTINUA SEM RESPOSTA DEFINITIVA
A família também questiona a estrutura disponível no Hospital Ankar.
Uma das perguntas que passaram a circular nas redes sociais foi direta:
o hospital possuía UTI?
E, se não possuía, qual era o plano de retaguarda para uma paciente submetida a uma cirurgia de longa duração e múltiplos procedimentos?
Qual ambulância estava disponível?
Qual hospital receberia a paciente em caso de emergência?
Quanto tempo seria necessário para uma transferência?
Quem avaliou previamente esses riscos?
São perguntas que agora precisam ser respondidas por documentos.
Não por versões.
MP PEDIU INVESTIGAÇÃO
O caso deixou de ser apenas uma disputa pública de versões.
A 2ª Promotoria de Justiça de Goiânia encaminhou os autos à Polícia Civil e pediu a abertura de investigação para apurar possível homicídio culposo.
Isso não significa que médico ou hospital sejam culpados.
A investigação existe justamente para estabelecer o que aconteceu.
Prontuários.
Exames.
Termos de consentimento.
Horários.
Medicamentos.
Equipe presente.
Registros de enfermagem.
Sinais vitais.
Protocolos de emergência.
Tudo isso poderá ajudar a reconstruir as últimas horas de Andreia.
E poderá responder à pergunta central:
houve alguma conduta evitável que contribuiu para a morte?
DA PROPAGANDA ÀS DENÚNCIAS
Outro ponto ganhou força depois da reportagem da Record.
Pacientes que aparecem ou apareceram associadas à divulgação de procedimentos do médico passaram a ser procuradas ou identificadas nas redes.
Em seu próprio material promocional, Lessandro utiliza depoimentos e imagens de pacientes satisfeitas.
Agora, porém, começam a surgir mulheres relatando experiências completamente diferentes.
Se forem confirmadas coincidências entre pacientes usadas como testemunhos promocionais e mulheres que hoje fazem reclamações públicas, surge uma nova linha de investigação:
o que aconteceu entre o resultado divulgado nas redes e a realidade relatada posteriormente pelas pacientes?
Essa comparação precisa ser feita caso a caso.
Com documentos.
Com datas.
Com autorização das envolvidas.
E sem transformar denúncia em sentença.
O MÉDICO NEGA IRREGULARIDADES
Lessandro Martins afirma lamentar profundamente a morte de Andreia.
Também sustenta que, por dever de sigilo médico, não pode discutir publicamente detalhes clínicos da paciente.
O médico afirma que colaborará com as autoridades e que seus atos serão esclarecidos durante a investigação.
O Hospital Ankar também nega negligência.
Segundo a defesa da unidade, Andreia recebeu atendimento emergencial e os registros do atendimento serão disponibilizados às autoridades.
Até o momento, não existe condenação criminal ou conclusão oficial responsabilizando médico ou hospital pela morte.
Esse ponto precisa permanecer claro.
Mas a inexistência de condenação também não elimina as perguntas.
AGORA NÃO EXISTE APENAS UMA FAMÍLIA PERGUNTANDO
Esse talvez seja o elemento novo mais importante.
Antes, havia a família de Andreia.
Agora aparecem outras pacientes.
Outros rostos.
Outras histórias.
Outras fotografias.
Outras acusações.
Algumas delas anteriores à própria morte que desencadeou a investigação.
Isso muda o tamanho da história.
O que aconteceu com Andreia precisa ser investigado individualmente.
Mas, diante do surgimento de novos relatos, também passa a ser legítimo perguntar se existe um histórico que merece ser examinado pelas autoridades médicas e judiciais.
Quantas pacientes apresentaram reclamações?
Quantas procuraram o médico para correções?
Quantas fizeram novos procedimentos?
Quantas registraram denúncias no Conselho de Medicina?
Quantas ingressaram na Justiça?
Existem acordos?
Existem perícias?
Existem condenações?
Essas são as perguntas que começam a formar a próxima etapa da investigação.
740 MIL VISUALIZAÇÕES E UMA HISTÓRIA QUE NÃO PAROU
A primeira reportagem publicada pelo Blog do Cleuber Carlos sobre a morte de Andreia ultrapassou 740 mil visualizações.
É um número que mostra o tamanho da repercussão pública.
Mas audiência não pode ser a finalidade dessa história.
Ela aumenta a responsabilidade.
Porque por trás de cada fotografia existe uma pessoa.
Por trás de cada denúncia existe uma versão que precisa ser checada.
E por trás da morte de Andreia existe uma família que ainda espera respostas.
Lessandro Martins tem direito à defesa.
O hospital também.
As novas pacientes têm direito de apresentar seus relatos.
E cabe às autoridades separar denúncia de prova, complicação de erro, resultado insatisfatório de negligência e coincidência de eventual padrão.
Mas uma coisa mudou.
Andreia não é mais a única história sendo contada.
Depois da morte, outras mulheres começaram a falar.
E quanto mais relatos aparecem, maior fica a pergunta que agora acompanha o caso:
QUANTAS OUTRAS EXISTEM?
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