sexta-feira, 1 de maio de 2026

Ridoval Chiareloto: A Última Pescaria

NÃO DEU TEMPO DA ÚLTIMA PESCARIA


Ridoval Chiareloto não foi só um nome forte na vida pública. Para mim, foi um amigo de quase 30 anos.


Amigo de conversa boa, daquelas que não têm hora pra acabar. Amigo de risada fácil. E, principalmente, companheiro de pescaria — daquelas que valem mais pelo encontro do que pelo peixe.


Gaúcho raiz, carregava com orgulho a tradição italiana: ninguém começava a comer enquanto todos não estivessem à mesa. Era regra. Era respeito. Era família.


Tínhamos em comum um irmão de vida: Renato Padilha. E lembro como se fosse hoje da última pescaria — quando Ridoval levou o Renato, gaúcho de praia, pra enfrentar o Araguaia. Mosquito, calor, beira de rio… e, no meio disso tudo, comida boa, gargalhadas e histórias que ficam.


Momentos simples. Mas gigantes.


A gente já tinha marcado a próxima. Abril estava ali, logo ali. Eu ligava pra ele pra acertar o dia — e o telefone não atendia. Insisti. Até que, um dia, quem atendeu foi a esposa.


E veio a notícia.


Internado.


Não deu tempo.


A última pescaria ficou só no plano.


Ridoval partiu — e deixou um vazio que não se preenche fácil. Porque amizade verdadeira não se substitui. Ela permanece.


Fica na memória.
Fica nas histórias.
Fica na saudade.


E essa… essa é eterna.


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