sábado, 11 de abril de 2026

Bomba: Desvio de Combustível na Prefeitura de Goiânia


Há operações policiais que revelam mais do que um crime. Revelam falhas estruturais. O flagrante que levou à prisão de pelo menos sete pessoas em Goiânia, nesta sexta-feira, aponta exatamente nessa direção.


O caso envolve um esquema de desvio de combustível com participação de servidores e prestadores de serviço ligados à Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra). A ação ocorreu em um posto credenciado pela própria Prefeitura, na Avenida Perimetral Norte, após denúncia anônima encaminhada ao gabinete da vice-prefeita e repassada ao serviço de inteligência da Polícia Militar.


No local, um motorista foi abordado conduzindo um caminhão a serviço da Prefeitura, transportando um tanque com mil litros de diesel abastecidos com cartão corporativo da pasta. A dinâmica, segundo a investigação, não era pontual — era repetida.


De acordo com a Polícia Civil, o esquema envolvia frentista, motoristas e empresa terceirizada. Um dos investigados confessou que abastecimentos de mil litros eram feitos pela manhã e à tarde, em dias previamente definidos, sob coordenação de um empresário responsável por contrato com o município.


O combustível, pago com recursos públicos, era desviado e revendido por cerca de R$ 4 o litro, em dinheiro ou via Pix, para uma rede de compradores. Durante a apuração, foram apreendidos comprovantes que indicam abastecimentos recorrentes em outros postos credenciados ao longo da semana.


O dado mais sensível não é apenas o desvio. É a escala. A estimativa inicial aponta prejuízo superior a R$ 500 mil em poucos dias, considerando operações em diferentes pontos da cidade.


A Prefeitura informou a abertura de processo administrativo e sinalizou demissão dos servidores envolvidos, além da responsabilização criminal dos participantes. A investigação agora avança para dimensionar o tempo de funcionamento do esquema e identificar se há outros envolvidos.


Porque, em casos assim, o problema raramente é isolado. Ele costuma ser sintoma de algo maior: fragilidade de controle, falhas de fiscalização e um sistema que permitiu que o desvio ocorresse de forma reiterada sem detecção imediata.


E é exatamente isso que começa a ser investigado.


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