Denúncias expõem como empresa de Goiânia pode estar ligada a fraudes com Pix e possíveis esquemas de lavagem de dinheiro
Uma denúncia recente no portal Reclame Aqui levanta sérias suspeitas sobre a atuação da Web Gate Processadora de Pagamentos Ltda, empresa de Goiânia cujo sócio-administrador é Murillo Henrique Soares Araújo. A vítima relatou ter recebido um e-mail supostamente enviado pelo Detran-AM, informando sobre uma multa de trânsito e suspensão da CNH. O e-mail direcionava para uma página fraudulenta, onde aparecia um Pix em nome da Web Gate para pagamento da multa no valor de R$ 199,48.
Segundo o relato, após efetuar o pagamento, o consumidor percebeu que se tratava de um golpe, solicitou estorno ao banco e confirmou junto ao Detran-AM que nenhuma multa existia em seu nome. O caso, embora aparentemente isolado, pode ser a ponta do iceberg de um esquema muito maior.
O Papel da Web Gate no Esquema
Documentos oficiais apontam que a Web Gate está registrada sob o CNPJ 03.082.099/0001-06 e é comandada por Murillo Henrique Soares Araújo. A empresa, que atua formalmente no ramo de soluções de pagamento, tem sido citada em investigações jornalísticas como possível empresa de fachada utilizada em golpes digitais e, potencialmente, para lavagem de dinheiro oriundo de atividades ilícitas.
Em reportagem recente publicada por O Bastidor, a Web Gate foi mencionada como parte de um grupo de empresas ligadas a fraudes envolvendo criptomoedas e movimentações financeiras suspeitas. Isso reforça a hipótese de que a empresa de Murillo pode ter sido usada não apenas para aplicar golpes de pequeno valor — como no caso denunciado no Reclame Aqui — mas também para dar aparência de legalidade a recursos obtidos de forma criminosa.
Lavagem de dinheiro: a porta giratória do crime financeiro
O modus operandi é sofisticado: as empresas de fachada recebem inúmeros pagamentos via Pix, pulverizam valores em contas de terceiros, convertem parte em criptoativos e, assim, dificultam o rastreamento pelas autoridades. É a velha prática da lavagem de dinheiro, agora modernizada pelas fintechs e pelos ativos digitais.
Com capital social declarado de R$ 300 mil, a Web Gate se apresentava como uma empresa legítima, optante pelo Simples Nacional. Mas, para a PF, a estrutura servia para dar verniz de legalidade a milhões movimentados pelo esquema fraudulento.
Mas a PaySafe não estava sozinha. Outra empresa com sede em Goiânia, a Web Gate Processadora de Pagamentos Ltda, comandada por Murillo Henrique Soares Araújo, também é apontada nas investigações como parte da engrenagem criminosa. Para a PF, ambas funcionavam como “lavanderias de luxo” para recursos ilícitos, usando a aparência de “meios de pagamento” e “soluções digitais” para dar legalidade ao dinheiro desviado.
Lavagem de Dinheiro e o Rastro Digital
O uso de empresas de fachada para recebimento via Pix tornou-se prática comum em esquemas fraudulentos. O golpe relatado segue um padrão já identificado por autoridades: valores pequenos são recebidos de inúmeras vítimas, pulverizando os depósitos em contas de fachada. Posteriormente, o dinheiro pode ser convertido em criptomoedas ou transferido para terceiros, dificultando o rastreamento pela polícia.
A suspeita é de que Murillo Henrique Soares Araújo tenha utilizado a Web Gate como intermediária para esse tipo de operação, aproveitando-se da aparência de legalidade da empresa, que inclusive é optante pelo Simples Nacional e possui capital social declarado de R$ 300 mil.
A Teoria do Fruto da Árvore Envenenada
Caso se confirme que a Web Gate serviu como instrumento para golpes digitais e lavagem de dinheiro, todas as movimentações financeiras realizadas pela empresa podem ser anuladas ou bloqueadas pela Justiça, com base na chamada teoria do fruto da árvore envenenada, que invalida provas ou atos derivados de uma prática ilícita.
Opinião
O caso da Web Gate expõe uma realidade preocupante: a facilidade com que empresas aparentemente legítimas podem ser usadas para fraudes digitais e movimentações ilícitas. A ausência de fiscalização rigorosa e a lentidão de algumas investigações acabam permitindo que golpistas atuem impunemente, prejudicando milhares de consumidores.
É fundamental que autoridades financeiras e policiais aprofundem as investigações, rastreiem os recursos movimentados pela empresa e responsabilizem não apenas a pessoa jurídica, mas também o sócio-administrador, caso sua participação seja confirmada.
Enquanto isso, consumidores devem redobrar a atenção: nunca realizem pagamentos via Pix antes de confirmar a autenticidade da cobrança, especialmente quando a mensagem é recebida por e-mail ou SMS.

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