segunda-feira, 27 de junho de 2022

Caso Klara Castanho: Enfermeira Será Investigada


O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e o Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP) vão investigar a denúncia feita pela atriz Klara Castanho, de 21 anos, sobre o vazamento de informações do seu prontuário médico. Em relato divulgado nas redes sociais, ela conta que foi abordada por uma enfermeira que ameaçou divulgar para a imprensa as informações sobre a entrega para adoção um bebê fruto de um estupro.

A carta aberta foi divulgada no último sábado (25/6). Na postagem, a atriz de "Confissões de uma garota excluída" fala sobre a violência sofrida e suas consequências. A jovem relata que não queria expor o episódio traumático, porém, na última semana, sites de fofoca trouxeram não só a história a público, mas também especulações e ataques à atriz. 

"Fui estuprada. Relembrar esse episódio traz uma sensação de morte, porque algo morreu em mim. Não estava na minha cidade, não estava perto da minha família nem dos meus amigos", diz a atriz.

De acordo com Klara, na época, ela não fez boletim de ocorrência por se sentir envergonhada e culpada e somente a sua família sabia o que tinha acontecido.

Meses depois, segundo seu relato, ela começou a se sentir mal e, em meio a exames, descobriu a gravidez já em estágio avançado. "Foi um choque, meu mundo caiu. Meu ciclo menstrual estava normal, meu corpo também. Eu não tinha ganhado peso nem barriga", diz.

Klara afirma que, durante uma consulta, ainda foi obrigada pelo médico a ouvir o coração da criança, o que considerou uma nova violação.

A artista conta que decidiu fazer uma entrega direta para adoção, prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que permite que a mãe entregue o filho para adoção em um procedimento assistido pela Justiça.

"A criança merece ser criada por uma família amorosa, devidamente habilitada à adoção, que não tenha lembranças de um fato tão traumático", explica ela.

Todo o procedimento deveria ser sigiloso, no entanto, Klara relata que momentos após o parto, ela foi abordada por uma enfermeira que ameaçou divulgar sua história. Logo em seguida, a atriz recebeu mensagens de um colunista.

"Quando cheguei no quarto, já havia mensagens do colunista, com todas as informações. Ele só não sabia do estupro. Eu conversei com ele, expliquei tudo o que tinha me acontecido", conta.
Cofen diz que 'tomará todas providências para identificação dos responsáveis'

Em comunicado neste domingo, o Cofen se solidarizou com Klara.

"Manifestamos profunda solidariedade à atriz Klara Castanho, que, após ser vítima de violência sexual, teve o seu direito à privacidade violado, durante processo de entrega voluntária para adoção, conforme assegura o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)".

O conselho disse ainda que diante dos fatos, determinou a apuração da ocorrência e "tomará todas as providências que lhe couber para a identificação dos responsáveis pelo vazamento de informações sigilosas pertinentes ao caso".

"Casos assim devem ser rigorosamente punidos, para que não mais se repitam. Da mesma forma, devem ser execrados comunicadores que deturpam a função social do jornalismo para destruir a vida das pessoas. Vida privada não é assunto público", completa.

Também em nota, o Coren-SP ressalta que compete ao conselho investigar situações em que haja infração ética praticada por profissional de enfermagem e adotar as medidas previstas no Código de Processo Ético dos Conselhos de Enfermagem.

Diz também que "seguirá os ritos e adotará os procedimentos necessários para a devida investigação, como ocorre em toda denúncia sobre o exercício profissional. Assim, o Coren-SP ressalta a cautela necessária sejam tomadas as medidas corretas para a apuração dos fatos".

O hospital em que Klara ficou internada, na região metropolitana de São Paulo, informou, por nota, que será aberta uma sindicância interna para investigar a denúncia feita pela atriz.

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