sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Decon Realiza Operação “Piratas do Cerrado” Para Coibir Sonegação Fiscal em Jaraguá


Ação envolveu 70 policiais civis de várias delegacias de cidades próximas ao polo de confecções conhecido por alimentar o mercado paralelo de jeans da região Centro-Oeste e de países vizinhos. Três pessoas foram presas, e mais de 25 mil peças de vestuário e calçados foram apreendidas



Após dois anos de intensa investigação, a Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Consumidor (Decon), da Polícia Civil, deflagrou nesta terça-feira (20/12), em Jaraguá, a Operação “Piratas do Cerrado”, para dar cumprimento a oito mandados de prisão preventiva e a 11 de busca e apreensão em depósitos, galpões e lojas que comercializavam mercadorias sem nota fiscal e adulteravam os artigos usando etiquetas de marcas famosas. Durante a operação, três pessoas foram presas e uma foi conduzida coercitivamente.

Um veículo usado para a prática delituosa foi apreendido pelos policiais, que apreenderam, também, R$ 27 mil em espécie, 58 folhas de cheques preenchidos, etiquetas, anotações de vendas, celulares e cerca de 25 mil peças de vestuário e calçados sem nota fiscal.

O objetivo da operação, conforme destaca o delegado Webert Leonardo Santos, da Decon, foi coibir a sonegação fiscal, a concorrência desleal em relação aos comerciantes regularizados, associação criminosa, lavagem de dinheiro, crime contra as marcas e patentes e os crimes contra as relações de consumo. Segundo explicou, a Decon instaurou inquérito e passou a monitorar as denúncias que eram feitas, identificando os suspeitos, ao longo desses dois anos. “Só então deflagramos a ação ostensiva para cumprir os mandados deferidos pelo Poder Judiciário”, afirmou.

Coordenada pelo delegado Webert Leonardo, a operação contou com o apoio logístico da 15ª Delegacia Regional de Polícia de Goianésia, que tem como titular o delegado Marco Antônio Zenaide Maia Junior. Participaram, ainda, o GT3, a Delegacia de Polícia de Ceres, a Delegacia de Itapaci, o Grupo de Repressão a Crimes contra o Consumidor (Gecon) de Anápolis, o Grupo de Capturas e Apoio Operacional (Caop) de Anápolis, a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Goianésia, a Delegacia Municipal de Goianésia e a Delegacia Policial de Pirenópolis.

Segundo o delegado, toda a execução desta ação contou com a parceria do Poder Judiciário de Jaraguá, que reconheceu a importância da operação e disponibilizou espaço para abrigar todos os artigos apreendidos nos 11 estabelecimentos comerciais e depósitos clandestinos. “Foi uma operação extremamente exitosa, tanto nos seus resultados práticos positivos de prisões e apreensões, quanto no seu efeito pedagógico”, declarou o delegado Webert.

Conforme acentuou o coordenador da operação, aqueles que teimam em adulterar artigos de vestuário e vender como se fossem de marcas famosas e, ainda, sem nota fiscal, vão ser alvos de novas operações. “Há várias outras frentes de investigações com a mesma finalidade sendo realizadas no município de Jaraguá que deverão culminar com novas prisões e apreensões”, afirmou.

Ainda de acordo com a polícia, as investigações são aprofundadas a cada denúncia. Uma das linhas de investigação aponta indícios de que até lojas de shoppings estariam introduzindo aos seus estoques produtos fabricados em Jaraguá e adulterados com etiquetas de marcas famosas com a finalidade de obtenção de maior lucro. “É bem variada a forma de agir desses grupos em Jaraguá; alguns têm lojas como fachadas para o negócio clandestino, outros usam apenas galpões e depósitos, inclusive em áreas rurais”, ressaltou.

As peças de roupas apreendidas, no valor aproximado de mais de R$ 1 milhão, ostentavam marcas de renome nacional e internacional, entre elas, a Calvin Klein, Dudalina, Colcci, Diesel, Hollister, Carelli, Fórum, John John, Aleatory, Lacoste, Lança Perfume e outras. Para surpresa dos policiais, grande quantidade de calçados também foi encontrada nos depósitos e apreendidas. Entre eles, tênis etiquetados como se fossem Adidas.

Jaraguá é conhecida como grande polo de confecções que ganhou fama pelos jeans de alta qualidade. Além de peças para adultos, a Decon encontrou nos 11 pontos investigados artigos de vestuário infantil, entre elas, os da marca Lilica Ripilica. O comércio de artigos com marcas adulteradas abastece, segundo o delegado da Decon, Webert Leonardo, os mercados clandestinos em Goiânia, principalmente na Bernardo Sayão e na 44, as cidades do interior do estado, além de Tocantins, Pará, Minas Gerais e São Paulo. Há indícios de que países da América do Sul, entre eles a Bolívia e o Paraguai, também recebem artigos de vestuário de Jaraguá.




FOTOS: POLÍCIA CIVIL


2 comentários:

Anônimo disse...
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