quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Ranking das Dívidas dos Times de Futebol Brasileiros

Botafogo – R$ 848 milhões
Flamengo – R$ 698 milhões
Vasco – R$ 597 milhões
Atlético-MG – R$ 487 milhões
Fluminense – R$ 440 milhões
Grêmio – R$ 383 milhões
Santos – R$ 373 milhões
São Paulo – R$ 341 milhões
Palmeiras – R$ 333 milhões
Corinthians R$ 314 milhões
Internacional – R$ 280 milhões
Cruzeiro – R$ 253 milhões
O que a TV tem a ver com isso
Com tanto déficit acumulado e uma dependência enorme do dinheiro oriundo da TV, tornou-se corriqueiro o uso dos contratos com a Globo para garantia de fluxo de caixa. Clubes que não tinham como pagar contas urgentes recorriam à parceira, que criou dois mecanismos para auxílio financeiro.
O primeiro desses mecanismos é mais simples e direto: a Globo passou a adiantar valores referentes a contratos futuros. Se um clube não tinha dinheiro para bancar algo urgente, debelava a receita a que teria direito em temporadas seguintes.
A Globo também funcionou como uma espécie de avalista dos clubes. Quando uma equipe tinha dívidas e precisava de dinheiro, recorria a instituições financeiras e usava como garantia os valores de contratos com a emissora.
Os dois modelos são lícitos, mas contribuem para a criação de uma relação de dependência. Como têm dívidas com a Globo, clubes ficam atrelados a ela e perdem poder de negociação em contratos futuros.
O caso Botafogo
Em 2014, um oficial de Justiça interpelou a Globo por uma dívida de R$ 9 milhões que havia sido contraída pelo Botafogo. O time carioca usou o segundo modelo e colocou o contrato com a emissora como garantia do empréstimo. Na visão dos advogados que cuidaram do caso, isso colocou a emissora como avalista de forma indireta.
A notificação judicial foi recebida (e contestada) por um alto dirigente da Globo, que recorreu ao departamento jurídico da emissora. Internamente, a conclusão foi a mesma dos tribunais.
De imediato, a Globo notificou os clubes que interromperia o uso de contratos de TV como garantia para tomada de empréstimos. Além disso, limitou drasticamente a liberação de valores adiantados de contratos vindouros.
As mudanças no esporte da Globo
O caso Botafogo e a alteração na política de empréstimos da Globo coincidiram com uma importante mudança no organograma da emissora: Roberto Marinho Neto, único herdeiro apaixonado por esporte na família que comanda a empresa, resolveu se aproximar da área.
Neto assumiu gradativamente um espaço maior no cotidiano do esporte da Globo, com um peso determinante nas decisões estratégicas do canal. E quando isso aconteceu, o controle sobre o dinheiro passou a ser ainda maior.
A presença dele acabou com casos como o do São Paulo, que tomou R$ 50 milhões diretamente da Globo em 2014. O time do Morumbi adiantou receitas de contratos com vencimento até 2017, recebeu o dinheiro à vista e se comprometeu com taxa de juros em torno de 1,5%.
A mudança de postura da Globo, contudo, não é um caso isolado. Os clubes também sofreram impactos de aspectos como concentração de investimento de patrocinadores na Copa do Mundo de 2014, retração da economia e alta do dólar. Todos esses aspectos tiveram peso na questão dos atrasos salariais. O reflexo direto disso foi uma mudança de patamar na economia do futebol local – incremento de saída de atletas e redução de folhas salariais, por exemplo.

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