terça-feira, 30 de junho de 2015

Elder Dias: "Cristiano Araújo Merece Todo Meu Respeito"

Foto: Reprodução Facebook
Em questões pessoais, cada um que cuide do seu e deixe o outro em paz. Em questões sociais, que todos cuidem do que é para todos e não só para alguns. Simples assim.

Zeca Camargo, meu caro: você não precisava perder tempo falando de Cristiano Araújo. Mas já que achou que ele não representa o tipo de "herói" que o Brasil mereça incensar, não deveria ter caído na própria armadilha ao tentar achar algum "heroísmo" no mundo pop. 

Peraí, deixa eu explicar: pop não tem herói. Você confundiu herói com celebridade, Zeca.
Herói brasileiro? Se você quiser um, pensa em alguém tipo Herbert de Souza, o Betinho (o "irmão do Henfil", você deve se lembrar dele), que fez um país inteiro parar para pensar no problema da fome, investindo para isso o fiapo da vida pela frente que a aids por hemofilia lhe permitiu ter. 
Isso, sim, é ser herói. O resto é cigarra.

Pra encerrar o assunto: eu sabia quem era Cristiano Araújo - um cara que cantava sertanejo universitário, estilo que definitivamente não curto.
Mas, engraçado, não conhecia quem era ele. E tive chances. E o cara foi criado aqui em Goiânia, vinha aqui na igreja católica do Itatiaia de vez em quando, jogou pelada onde eu jogava também (na quadra do Farofa, St Santa Genoveva), tinha amizade com o Thiago Brava (outro dessa geração nova, mas parece que do estilo arrocha), cuja família mora aqui no bairro também. 
Aí fico conhecendo mais do cara em matérias de TV do que sabia até hoje. A história do pai, a participação do bar/lavajato da família no nascedouro de outros artistas, a luta pela carreira do filho. Uma vida inteira de dedicação para alcançar um lugar ao sol. 
Cristiano parecia um sujeito do qual seria bem fácil de se tornar amigo. Me lembrou um pouco o que eu achava do Dinho, do Mamonas Assassinas, uma alegria genuína no olhar e no agir.
No fim, o estrelato e a fama colocam uma máscara e um monte de rótulos que escondem a verdadeira face da pessoa. Aliás, deixa de ser pessoa e vira astro. Astro pra uns, alvo pra outros. No fim, é só um comum que saiu de baixo, "aqui do lado", para "chegar lá". Alcançou o sucesso com seu próprio esforço, não tinha pai rico nem pistolão. E tinha talento e carisma para o que fazia, no estilo musical que escolheu. Não preciso gostar de ouvir, mas essa trajetória merece todo o meu respeito.
E no fim de tudo, a história do cara - início, meio e fim - me lembra, ironicamente, Chico Buarque, nosso ícone intelectual na MPB: "É gente humilde, que vontade de chorar..."

Artigo do Jornalista Elder Dias Postado no facebook

Nenhum comentário: