
Em 2024, Cleitin Mil Graus entrou na eleição para vereador de Goiânia praticamente como um “anticandidato”.
Humor, sátira, irreverência e provocação davam o tom da campanha.
Foram 1.625 votos. Um resultado pequeno diante da enorme audiência que já possuía nas redes sociais.
Dois anos depois, porém, aquele número pode não servir para medir o tamanho da candidatura que Cleitin apresenta agora para deputado estadual.
Porque o personagem continua, mas o candidato mudou.
A própria campanha anunciou uma reformulação. A proposta agora é apresentar abordagens mais sérias, ideias, posicionamentos e compromissos, preservando o humor e a autenticidade responsáveis pela popularidade do influenciador.
Mas a transformação mais importante pode ser percebida nas próprias redes.
DAR VOZ A QUEM NÃO TEM VOZ

Denúncias, reclamações, problemas cotidianos e questões de interesse coletivo passam a ganhar espaço.
O influenciador começa a cobrar, questionar, mostrar problemas e levantar discussões capazes de beneficiar não apenas quem fez determinada denúncia, mas toda uma comunidade.
É uma mudança profunda na utilização de seu maior patrimônio eleitoral: a audiência.
Antes, Cleitin utilizava principalmente esse alcance para fazer as pessoas rirem.
Agora, tenta utilizá-lo também para fazer as pessoas serem ouvidas.
E isso pode mudar completamente a relação entre seguidor e candidato.
913 MIL SEGUIDORES
Cleitin Mil Graus possui atualmente 913 mil seguidores no Instagram.
Seguidor não é voto.
A eleição de 2024 provou isso.
Mas existe uma diferença fundamental: naquela eleição, uma parcela do público podia enxergá-lo muito mais como personagem e produtor de conteúdo do que como alguém preparado para exercer um mandato.
É justamente essa barreira que a campanha de 2026 tenta romper.
Cleitin quer preservar a popularidade conquistada com o humor e acrescentar algo que não estava tão presente na campanha anterior:
credibilidade política.
Se conseguir, mesmo uma pequena conversão dessa gigantesca audiência passa a produzir números relevantes.
Matematicamente, 1% de 913 mil representa 9.130. Dois por cento seriam 18.260. Três por cento, 27.390. Cinco por cento chegariam a 45.650.
É evidente que essa conta não representa uma projeção eleitoral. Nem todos os seguidores são eleitores de Goiás e acompanhar alguém nas redes não significa votar nele.
Mas mostra o tamanho do ativo que Cleitin possui.
UMA CHAPA PESADA
O problema é que a disputa dentro da própria Federação PRD/Solidariedade promete ser dura.
Cleitin encontrará candidatos que já provaram capacidade eleitoral nas urnas.
Em 2022, Wagner Neto teve 32.543 votos; Coronel Adailton, 25.610; Anderson Teodoro, 25.552; Alessandro Moreira, 23.345; Júlio Pina, 21.243; Cristiano Galindo, 17.788; e Cristóvão, 17.484.
São candidatos com bases políticas, eleitorais e territoriais já conhecidas.
Cleitin possui outra coisa.
Uma audiência gigantesca e ainda eleitoralmente imprevisível.
É exatamente isso que torna sua candidatura uma das grandes incógnitas da federação.
OS 1.625 VOTOS NÃO CONTAM MAIS?
Contam.
São o único teste eleitoral concreto realizado por Cleitin até agora.
Mas existe um erro em simplesmente utilizar aqueles 1.625 votos para estabelecer o teto eleitoral de 2026.
A candidatura é outra.
Em 2024, Cleitin apresentou ao eleitor essencialmente o “Mil Graus” do humor e da sátira.
Agora tenta apresentar Cleitin Mil Graus como representante popular.
Não abandonou o personagem.
Está tentando dar ao personagem uma causa.
O TESTE DAS URNAS
A pergunta que acompanhará Cleitin até outubro é simples:
ele conseguirá transformar seguidores em eleitores?
Essa resposta ninguém possui ainda.
Os candidatos tradicionais da federação chegam com dezenas de milhares de votos anteriores e bases políticas conhecidas.
Cleitin chega com algo muito mais difícil de calcular: quase um milhão de pessoas acompanhando diariamente aquilo que faz.
Se continuar utilizando essa audiência para levantar problemas, cobrar soluções e principalmente mostrar resultados concretos para a população, poderá construir durante a própria campanha uma espécie de demonstração antecipada de mandato.
A mensagem é quase inevitável:
se consegue dar voz às pessoas sem mandato, o que poderá fazer com um mandato?
Em 2024, Cleitin Mil Graus brincou de ser candidato.
Em 2026, aparentemente, a brincadeira acabou.
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