segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

TRAGÉDIA DE ITUMBIARA: CADÊ O TELEFONE QUE RECEBEU AS IMAGENS?

Cadeia de custódia, prova digital e o dever de transparência no caso que abalou Itumbiara

Em meio às múltiplas camadas da tragédia que chocou Itumbiara, uma pergunta técnica — e juridicamente relevante — começa a ganhar dimensão central: onde está o telefone celular de Thales?

Não se trata de curiosidade. Trata-se de cadeia de custódia.

Segundo informações já tornadas públicas, imagens produzidas por detetive particular teriam sido enviadas ao aparelho celular dele antes dos fatos. Essas imagens, posteriormente, circularam. A partir desse ponto, o telefone deixa de ser apenas objeto pessoal e passa a ser potencial elemento probatório.

E quando um objeto pode conter dados relevantes — mensagens, registros de envio, metadados, horários, localização, compartilhamentos — ele integra, tecnicamente, a cena do crime.

📱 Cadeia de custódia: não é detalhe, é garantia legal


O Código de Processo Penal brasileiro estabelece regras claras sobre preservação da prova. A chamada cadeia de custódia existe para garantir:


  • Que o objeto foi apreendido formalmente;
  • Que não houve manipulação indevida;
  • Que a integridade do conteúdo digital foi preservada;
  • Que a extração de dados ocorreu por meio técnico adequado.

Se o aparelho estava no local quando a Polícia Militar chegou, o procedimento esperado é o recolhimento formal e posterior encaminhamento à perícia.

Se não estava, surge outra indagação: quando e por quem foi retirado?


Não se afirma aqui qualquer irregularidade. Afirma-se apenas que, em casos dessa magnitude, a integridade da prova digital é fundamental

🔎 Integridade da prova digital

Celulares modernos armazenam:

  • Histórico de mensagens
  • Arquivos recebidos e enviados
  • Logs de compartilhamento
  • Metadados de mídia
  • Registros de conexão

A perícia digital consegue identificar não apenas o conteúdo, mas o fluxo da informação.

Se imagens circularam, o telefone pode indicar:

  • Quem recebeu primeiro
  • Se houve reenvio
  • Em que horário
  • Para quais contatos

Esses dados não são opinião. São rastros técnicos.

⚖ Transparência institucional

Em um caso de grande repercussão pública, a transparência é aliada da credibilidade institucional.

Perguntas objetivas que não configuram acusação, mas sim apuração legítima:

  • O aparelho foi formalmente apreendido?
  • Existe auto de apreensão registrado?
  • Houve extração pericial dos dados?
  • O telefone está sob custódia da Polícia Civil?
  • A cadeia de custódia foi documentada?

Essas perguntas não apontam culpados. Elas reforçam um princípio básico: provas digitais precisam ser preservadas com rigor absoluto.

📌 A questão do vazamento

Quanto à circulação das imagens, qualquer afirmação sobre autoria exige prova técnica. Especulação não substitui laudo.

O que se pode afirmar é que, quando um arquivo circula, ele percorre dispositivos. E dispositivos deixam vestígios digitais.

A investigação adequada é que determinará, se for o caso, responsabilidades.

🧭 O ponto central

Em tempos de julgamentos instantâneos nas redes sociais, é preciso lembrar que o processo penal não se constrói em suposições.

Constrói-se em prova.

E prova digital exige:

  • Preservação
  • Perícia
  • Documentação
  • Cadeia de custódia intacta

A pergunta permanece, não como acusação, mas como requisito técnico de apuração:

Onde está o telefone?

Em um caso em que imagens tiveram papel relevante na narrativa pública, a resposta institucional a essa pergunta não é acessória.

É estruturante.


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