sábado, 21 de fevereiro de 2026

DÍVIDA DE GOIÁS SOBE R$ 8 BILHÕES NA GESTÃO Ronaldo Caiado

Quando Ronaldo Caiado assumiu o governo de Goiás, em 2019, o roteiro era conhecido: barulho, indignação e o velho enredo da “herança maldita”. A dívida, dizia-se, era um esqueleto acumulado desde os anos 80. O número girava em torno de R$ 20 bilhões.

Sete anos depois, a pergunta é simples — e matemática não tem ideologia:

Se o Estado entrou no Regime de Recuperação Fiscal, suspendeu pagamentos e ainda contou com cerca de R$ 6,5 bilhões bancados pela União nesse período, por que a dívida chegou a aproximadamente R$ 28 bilhões?

Não é retórica.

É aritmética.

📊 A RECUPERAÇÃO QUE NÃO RECUPEROU

O Regime de Recuperação Fiscal foi vendido como salvação. Suspensão de pagamentos, fôlego orçamentário, reestruturação da máquina. O discurso era de responsabilidade e austeridade.

Mas o estoque da dívida cresceu.

Ou seja: mesmo com alívio temporário, a conta aumentou.

É legítimo questionar:

Se houve socorro federal e suspensão de desembolsos, o que fez a dívida avançar quase R$ 8 bilhões?

Juros? Correção? Rolagem?

Então por que o discurso foi de saneamento definitivo?

🏗 O ESTADO ENGESSADO E A PROMESSA DE OBRAS

Durante esses sete anos, Goiás ficou submetido ao teto fiscal do RRF.

Congelamentos, restrições, limitações.

A promessa era clara: sacrifício agora para colher equilíbrio depois.

Mas onde está a transformação estrutural compatível com esse aperto?

Não se fala aqui de inauguração de praça ou pintura de meio-fio.

Fala-se de infraestrutura estruturante, de recuperação ampla de rodovias, de entregas proporcionais ao discurso de austeridade.

Nem mesmo a recuperação prometida com recursos da chamada taxa do agro virou símbolo de mudança estrutural.

O Estado apertou o cinto.

Mas a conta continuou crescendo.

📉 O DADO QUE DESMONTA O DISCURSO

O próprio balanço oficial entregue à Assembleia no último quadrimestre de 2025 aponta déficit de R$ 4,5 bilhões.

Repita devagar:

🔺 Receita cresceu 19%.

🔺 Despesa cresceu 34%.

Se a gestão foi marcada pelo discurso da austeridade, por que a despesa cresceu quase o dobro da receita?

Essa é a pergunta que desmonta narrativas.

Não se trata de acusação criminal.

Trata-se de coerência administrativa.


⚖️ A HERANÇA QUE FICA

A dívida projetada dentro do regime de recuperação fiscal terá impacto por décadas. Não é discurso oposicionista. É estrutura contratual.

A pergunta que ficará para os próximos governadores é simples:

O Estado foi efetivamente reequilibrado ou apenas postergou o problema?

Porque, se a dívida cresceu mesmo com suspensão de pagamentos e ajuda federal, o discurso de “arrumação histórica” precisa ser confrontado com os números frios.

E número não grita.

Número revela.

Se a promessa era reconstrução fiscal, os dados sugerem outra coisa:

um Estado travado, com despesa crescente e dívida ampliada.

A conta não desapareceu.

Ela só ficou mais cara — e mais longa.

E essa, sim, pode ser a verdadeira herança política dos próximos 40 anos.


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