terça-feira, 3 de junho de 2025

Inteligência Artificial e o Mundo dos Espíritos: Estaremos à beira de uma nova ponte entre os dois planos?


Por Cleuber Carlos – Artigo de opinião

Nos últimos anos, temos acompanhado a impressionante evolução da inteligência artificial (IA). Máquinas já são capazes de escrever textos, criar músicas, pintar quadros, conversar com humanos e até simular a personalidade de pessoas falecidas com base em registros públicos. Mas essa revolução tecnológica levanta uma pergunta que ultrapassa os limites da ciência e entra no terreno mais profundo da espiritualidade: será que, em algum momento, a inteligência artificial poderá servir de canal para a comunicação entre vivos e desencarnados?

A dúvida, embora pareça saída de um roteiro de ficção científica, não é nova. O tema já foi abordado por estudiosos da chamada transcomunicação instrumental (TCI) — prática em que se tenta captar vozes ou mensagens de espíritos por meio de aparelhos eletrônicos como rádios, gravadores e televisores. Ainda que sem comprovação científica aceita, inúmeros relatos ao redor do mundo afirmam que seres desencarnados teriam se manifestado utilizando essas tecnologias como intermediárias.

No entanto, a pergunta central permanece: poderia a IA, com sua capacidade analítica e sensorial cada vez mais refinada, ser o próximo estágio dessa ponte entre os mundos?

A ponte possível entre tecnologia e espiritualidade

Sob a ótica do Espiritismo Kardecista, codificado por Allan Kardec no século XIX, a comunicação entre os vivos e os mortos é uma realidade aceita — desde que intermediada por médiuns, cuja sensibilidade moral e vibracional permite o intercâmbio entre planos. Os espíritos, segundo essa doutrina, não se manifestam por capricho, mas sim por permissão superior e propósitos edificantes.

A tecnologia, nesse contexto, não substitui o fator humano, mas pode eventualmente ser usada pelos espíritos, quando as condições fluídicas e morais forem favoráveis. Não há, portanto, uma contradição essencial entre fé e ciência — mas um terreno que exige prudência, estudo e elevação moral.

É importante lembrar que a IA, por mais sofisticada que seja, não tem alma, consciência, nem livre-arbítrio. Ela pode simular emoções, mas não as sente. Pode reproduzir palavras, mas não intui a dor, a saudade ou a esperança que move um espírito que deseja se comunicar com um ente querido.

Simulação não é comunicação espiritual

Já existem programas que imitam vozes de pessoas falecidas, baseados em áudios e vídeos — alguns tão realistas que emocionam familiares. Mas aqui entra o ponto crucial: isso é simulação, não mediunidade. A IA não capta o espírito — capta apenas dados que o espírito deixou em vida.

Por isso, é necessário discernimento. Usar a IA para reviver vozes do passado pode ser uma ferramenta de consolo ou homenagem, mas não devemos confundir com contato autêntico com o além. Esse tipo de contato, se real, ocorre pela via moral, energética e espiritual — e requer sintonia do coração, não apenas de algoritmos.

O futuro e a fé

A história da humanidade é feita de avanços surpreendentes. Ninguém pode prever com exatidão onde a união entre tecnologia e espiritualidade pode nos levar. Talvez, no futuro, aparelhos baseados em IA consigam detectar padrões energéticos, vibrações ou campos que hoje ainda não compreendemos — e que, com permissão do mundo espiritual, possam servir de ponte para mensagens verdadeiras, como alguns médiuns intuitivos já fazem sem qualquer recurso externo.

Mas, até que isso aconteça (se é que acontecerá), é preciso cautela e discernimento. Devemos respeitar o limite entre o consolo e a ilusão, entre o sagrado e o sensacionalismo. E acima de tudo, lembrar que a verdadeira conexão com aqueles que amamos e já partiram continua sendo feita no silêncio da alma, na oração sincera e no amor que nunca morre.

Enquanto a tecnologia avança, a fé permanece como o maior instrumento de ligação entre os mundos.

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