sexta-feira, 9 de outubro de 2026

MICHEL ALVES DIZ QUE NÃO TEM EMPRESÁRIO, MAS GOIÁS CONFIRMA OPERAÇÃO DE INTERMEDIAÇÃO: QUEM RECEBEU E POR QUÊ?

EXCLUSIVO | Após reportagem do Blog do Cleuber Carlos revelar suposta comissão mensal de R$ 14 mil na contratação do diretor de futebol, clube reconhece oficialmente operação de intermediação, confirma que Michel Alves desconhecia a negociação, mas não revela quem foi contratado, quanto recebeu e quais serviços efetivamente prestou.

A manifestação oficial do Goiás Esporte Clube sobre a contratação do diretor de futebol Michel Alves abriu um novo e ainda mais delicado capítulo na investigação conduzida pelo Blog do Cleuber Carlos. O que inicialmente era uma informação sobre o suposto pagamento de comissão a intermediários transformou-se em um questionamento sobre os procedimentos administrativos adotados pela diretoria esmeraldina. Afinal, como explicar uma operação de intermediação envolvendo a contratação de um profissional que afirma categoricamente não possuir empresário, desconhecer qualquer contrato dessa natureza e ter negociado diretamente sua chegada ao clube?

A contradição aparente surge das próprias declarações dos envolvidos. Em manifestação divulgada pelo canal de Yago Vinicius, Michel Alves negou possuir empresários ou representantes responsáveis por sua carreira profissional. Também afirmou desconhecer o contrato mencionado pela reportagem e assegurou que sua contratação foi negociada diretamente com a diretoria do Goiás. Entretanto, em nota oficial divulgada nesta sexta-feira, 9 de outubro, o clube reconheceu a existência de uma operação de intermediação relacionada à contratação do executivo.

O comunicado vai além. O Goiás confirma que Michel Alves não tinha conhecimento da operação, uma vez que as tratativas foram conduzidas diretamente pela diretoria, sem participação ou envolvimento do profissional. Acrescenta que a operação foi realizada de forma regular e transparente e estaria devidamente registrada nos controles contábeis da instituição.

É justamente nesse ponto que surge a questão central da investigação. Se Michel Alves não possui empresário, não participou de qualquer negociação com intermediários e desconhecia a operação, quem foi contratado pelo Goiás para realizar a intermediação? Qual serviço essa pessoa ou empresa efetivamente prestou? E por qual razão a diretoria considerou necessário assumir essa obrigação financeira?

A reportagem publicada originalmente pelo Blog do Cleuber Carlos apontou informações sobre uma suposta comissão correspondente a 10% da remuneração mensal de Michel Alves, estimada em R$ 140 mil. Caso os valores sejam confirmados, a operação representaria R$ 14 mil mensais, ou R$ 168 mil ao longo de 12 meses. O Goiás, entretanto, não confirmou esses números em seu comunicado, tampouco esclareceu se houve pagamento efetivo, desembolso único ou compromisso financeiro continuado.

O clube argumenta que o pagamento de comissões por serviços de intermediação constitui prática de mercado. A explicação, embora possa justificar a existência desse tipo de contratação em determinadas circunstâncias, não esclarece a situação específica de Michel Alves. Um intermediário pode, legitimamente, prestar serviços diretamente a um clube, sem representar o profissional contratado. Nesse caso, porém, permanece indispensável identificar qual atividade foi realizada e qual benefício concreto a instituição recebeu.

O reconhecimento oficial da operação representa um avanço significativo na apuração, mas não constitui, isoladamente, prova de irregularidade. Da mesma forma, o registro contábil mencionado pelo Goiás não esclarece, por si só, a necessidade, a finalidade ou as condições comerciais da contratação.

Há perguntas que permanecem sem resposta: quem autorizou a operação? Quem é o beneficiário da comissão? Existe contrato formal? Qual seu objeto? Houve prestação comprovada de serviços? O pagamento foi efetivado? Qual o valor total assumido pelo clube?

O Blog do Cleuber Carlos considera que essas informações são fundamentais para esclarecer uma operação financeira envolvendo uma das principais contratações administrativas do departamento de futebol esmeraldino.

A investigação, portanto, deixa de se concentrar exclusivamente na existência de uma comissão e passa a examinar sua finalidade e seus beneficiários.

O Goiás reconheceu a operação. Michel Alves afirmou que não tem empresário e que desconhecia a negociação. Falta esclarecer quem intermediou o quê, para quem e por quanto.

Enquanto essas respostas não forem apresentadas, o episódio continuará cercado de questionamentos legítimos sobre a gestão financeira e administrativa do Goiás Esporte Clube.

O Blog do Cleuber Carlos seguirá acompanhando o caso, preservando o direito de manifestação dos envolvidos e buscando os documentos necessários para esclarecer integralmente a operação.


Nenhum comentário:

Postar um comentário