domingo, 6 de setembro de 2026

QUEM SEMPRE RECEBEU ORDENS DA POLÍTICA AGORA QUER TER VOZ NELA

EDITORIAL | Coronel Edson Raiado troca o comando dos quartéis por uma nova missão: disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa. Mais do que uma candidatura, sua trajetória provoca uma reflexão sobre quem representa aqueles que passam a vida protegendo a sociedade.

Por trás da farda existe um homem.

Existe um pai, um marido, um cidadão. Existe alguém que conhece o medo de uma família esperando o policial voltar para casa depois de mais uma noite de serviço.

Edson Raiado conhece os dois lados dessa porta.

Por mais de 20 anos, construiu sua trajetória na linha de frente da segurança pública. Viveu a rua, conheceu a tropa, assumiu responsabilidades e chegou ao posto de coronel da Polícia Militar.

Não conheceu a segurança pública em discursos ou gabinetes. Conheceu trabalhando.

Agora, apresenta-se ao eleitor para uma missão completamente diferente: ser deputado estadual.

E sua candidatura carrega uma simbologia que vai muito além de um nome e de um número na urna.

Historicamente, a Polícia Militar sempre esteve submetida às decisões da política. É a política que decide orçamento, salário, promoções, estrutura, efetivo, equipamentos e grande parte das condições enfrentadas diariamente pelos policiais.

A política sempre entrou no quartel. Talvez esteja na hora de o quartel, democraticamente, entrar na política.

Não para mandar sobre a sociedade. Não para transformar a Assembleia em extensão da caserna. Mas para participar, pelo voto, da mesa onde são tomadas as decisões que depois chegam prontas aos policiais.

É aí que a candidatura de Raiado ganha dimensão institucional.

Para milhares de homens e mulheres da segurança pública, existe uma pergunta que merece ser feita: quem conhece melhor as dores de um policial do que alguém que passou a vida usando a mesma farda?

Mas existe também uma dimensão humana.

Debaixo das estrelas de coronel está o homem que construiu família, criou filho, enfrentou plantões, riscos e responsabilidades e chegou ao topo da carreira carregando uma história construída dentro da instituição que hoje pretende representar politicamente.

Por isso, essa eleição pode ser analisada pela razão e pelo coração.

Pela razão, porque representação política significa participar das decisões sobre segurança pública.

Pelo coração, porque cada policial sabe quanto custa vestir uma farda e sair de casa sem a certeza absoluta de como terminará o serviço.

Durante décadas, policiais dependeram de políticos para defender suas pautas.

Agora existe a possibilidade de uma voz saída da própria corporação ocupar uma cadeira na Assembleia.

E talvez seja essa a grande mensagem da candidatura de Edson Raiado:

não se trata de a Polícia Militar comandar a política. Trata-se de a Polícia Militar deixar de assistir de fora enquanto outros decidem o seu futuro.

A farda não vota.

Mas quem está dentro dela, sim.


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