NEGÓCIO SOB QUESTIONAMENTO | Cooperativa transfere operação industrial e comercial dos lácteos para a Piracanjuba, mas não divulga contrato, valores, prazo nem condições econômicas da parceria. Endividamento de R$ 290 milhões levanta a principal pergunta: foi estratégia para ganhar escala ou necessidade financeira?
A Complem anunciou que a Piracanjuba passará a assumir a operação industrial do seu laticínio, além da industrialização e comercialização dos produtos da marca Compleite.
Oficialmente, a cooperativa afirma que não está vendendo a indústria nem seus ativos. Classifica o negócio como uma “parceria estratégica”.
Mas ainda falta responder a pergunta mais importante:
Por que a Complem está entregando uma das atividades centrais de seu negócio à Piracanjuba?
A operação é relevante porque a própria Complem estabelece entre seus objetivos receber, beneficiar e industrializar a produção entregue pelos cooperados, incluindo leite e derivados.
Agora, justamente a etapa de industrialização e comercialização dos lácteos passa para uma empresa privada.
O problema é que as condições da negociação ainda não foram tornadas públicas.
Não se sabe quanto a Piracanjuba pagará à Complem, qual será o prazo da parceria, se haverá aluguel ou arrendamento da indústria, remuneração por litro processado, pagamento pelo uso da marca Compleite ou qualquer outra contrapartida financeira.
Também não está claro quem ficará responsável pela manutenção da fábrica, pelos investimentos futuros, pelos custos industriais e pela margem obtida com a venda dos produtos.
A ausência dessas informações ganha ainda mais importância quando confrontada com o balanço financeiro da cooperativa.
A Complem encerrou 2025 com R$ 290,2 milhões em empréstimos e financiamentos, dos quais R$ 187 milhões venciam no curto prazo.
As sobras líquidas do exercício ficaram em apenas R$ 12,19 milhões.
O balanço também mostra que a cooperativa captou R$ 41,7 milhões em novos empréstimos de longo prazo durante 2025.
Diante desse cenário, surge uma dúvida inevitável:
A Complem buscou a Piracanjuba para aumentar eficiência e escala ou porque já não tinha condições financeiras de sustentar sozinha a operação industrial dos lácteos?
A resposta está no contrato.
É a minuta da parceria que poderá revelar quanto vale a operação, quais obrigações cada parte assumirá, quem ficará com os resultados econômicos da industrialização e quais garantias foram dadas à cooperativa e aos produtores.
Outro ponto precisa ser esclarecido: quem aprovou o negócio dentro da Complem?
Uma operação que transfere a terceiros a industrialização e comercialização de uma atividade histórica da cooperativa foi autorizada apenas pela diretoria e pelo Conselho de Administração ou passou por deliberação dos cooperados em Assembleia Geral?
Enquanto contrato, valores e condições permanecerem sob sigilo, a expressão “parceria estratégica” explica muito pouco.
A pergunta continua aberta:
o que exatamente a Complem está entregando à Piracanjuba — e o que receberá em troca?
Nenhum comentário:
Postar um comentário