quinta-feira, 3 de setembro de 2026

DOIS MESES DE LULA GUIMARÃES: MARCONI NÃO CRESCE E DISTÂNCIA PARA DANIEL AUMENTA

MARKETING SOB TESTE | Marqueteiro assumiu campanha com Marconi marcando 25,4% no Paraná Pesquisas. Na rodada seguinte, tucano apareceu com 24,9%. Quaest também mostra estabilidade: 21% em julho e 20% em agosto. Até agora, pesquisas não identificam reação eleitoral.

Lula Guimarães chegou à campanha de Marconi Perillo com uma missão objetiva: tornar competitiva uma candidatura que já possuía um eleitorado consolidado, mas estava distante da liderança.

Quase dois meses depois, os números permitem uma primeira avaliação.

E, pelo menos até agora, não há resultado eleitoral mensurável que indique crescimento de Marconi após a chegada do novo comando do marketing.

A contratação de Lula Guimarães foi divulgada em 6 de julho.

Naquele mesmo dia, o Paraná Pesquisas divulgou levantamento realizado entre 3 e 5 de julho — portanto, uma fotografia praticamente anterior à atuação do marqueteiro.

Marconi tinha 25,4%. Daniel Vilela, 44,4%.

A distância era de 19 pontos percentuais. (CNN Brasil⁠)

Na rodada seguinte do mesmo instituto, realizada entre 14 e 17 de agosto, Marconi apareceu com 24,9%.

Daniel subiu para 45,8%.

A distância passou para 20,9 pontos. (DivulgaCand⁠)

Tecnicamente, a oscilação de Marconi de 25,4% para 24,9% está dentro da margem de erro e não permite afirmar queda.

Mas permite afirmar algo importante:

não houve crescimento detectável.

Outro instituto aponta fenômeno semelhante.

Na Quaest divulgada em 30 de julho, Marconi tinha 21%, contra 37% de Daniel. (DivulgaCand⁠)

Na rodada divulgada em 27 de agosto, Daniel continuou com 37% e Marconi apareceu com 20%.

Novamente, uma oscilação dentro da margem de erro. E, novamente, nenhuma evidência estatística de avanço. (UOL Notícias⁠)

Há ainda outro indicador preocupante.

No Paraná Pesquisas, a rejeição de Marconi era de 37,8% em julho. Na rodada de agosto chegou a 40,8%. (Voz de Goiás⁠)

Isso significa que, até aqui, o marketing não conseguiu produzir nas pesquisas dois movimentos fundamentais para Marconi: ampliar sua intenção de voto e reduzir sua rejeição.

Seria tecnicamente incorreto responsabilizar Lula Guimarães sozinho pelo quadro.

Pesquisa eleitoral mede intenção de voto, não desempenho individual de marqueteiro. Alianças, adversários, conjuntura política, exposição, rejeição histórica e acontecimentos da campanha também interferem no resultado.

Mas existe uma métrica objetiva.

Lula Guimarães recebeu uma candidatura com 25,4% no Paraná. A pesquisa seguinte registrou 24,9%.

Na Quaest, Marconi passou de 21% para 20% entre julho e agosto.

Portanto, até o momento, não existe nas pesquisas evidência de um “efeito Lula Guimarães” capaz de ampliar eleitoralmente a candidatura de Marconi.

O tucano continua com um eleitorado expressivo e consolidado.

O problema permanece exatamente onde estava quando o novo marqueteiro chegou:

como romper esse teto e transformar aproximadamente um quarto do eleitorado em uma candidatura capaz de alcançar Daniel Vilela?

Depois de quase dois meses, as pesquisas ainda não apresentam essa resposta.


LULA MUDOU A CARA DA CAMPANHA — MAS AINDA NÃO MUDOU OS NÚMEROS DE MARCONI

Lula trocou força por confusão 

A nova identidade visual de Marconi pode até pretender transmitir modernidade, mas troca força por confusão. Ao fragmentar o próprio nome do candidato em uma sequência de azul, amarelo, verde e outras tonalidades, a campanha transforma seu principal ativo — a marca “Marconi” — em um mosaico cromático de leitura menos imediata e pouca unidade visual. Em vez de permitir que o eleitor reconheça a campanha num único golpe de vista, a peça obriga o olhar a decifrar cores, letras, número, slogan e informações que disputam atenção simultaneamente. É muito estímulo para pouca identidade. Em publicidade eleitoral, uma marca eficiente precisa ser simples, repetível e instantaneamente reconhecível; aqui, a profusão de cores pode até chamar atenção, mas chamar atenção não é o mesmo que construir identificação. Para um candidato que dispensa apresentação em Goiás, complicar visualmente o nome que todos já conhecem parece mais um desperdício de capital de marca do que uma inovação de marketing.



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