quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Marconi aposta na renovação do eleitorado e transforma o legado em principal ativo da campanha

A convenção que oficializou a candidatura de Marconi Perillo (PSDB) ao Governo de Goiás marcou mais do que o início formal da campanha de 2026. O evento deixou claro que o ex-governador mudou o foco do discurso e pretende transformar sua própria história administrativa no principal argumento eleitoral para enfrentar o candidato governista, Daniel Vilela.

Depois de meses concentrando críticas ao atual governo, Marconi agora passa a investir no resgate das realizações de seus quatro mandatos à frente do Palácio das Esmeraldas. A estratégia é simples: lembrar ao eleitor o que foi construído durante os 16 anos em que comandou Goiás e apresentar esse legado como credencial para voltar ao governo.

O desafio, porém, vai além de convencer antigos eleitores. Existe uma geração inteira que simplesmente não viveu os governos tucanos.

Quando Marconi deixou o governo, em 2016, muitos dos atuais eleitores ainda eram crianças. Quem tinha 10 anos naquela época hoje está na faixa dos 20 anos. Os jovens de 16 e 17 anos, que votarão pela primeira vez em 2026, não possuem lembranças políticas de sua gestão. Para eles, Marconi é um personagem da história recente de Goiás, e não uma experiência vivida.

É justamente nesse público que a campanha pretende concentrar esforços.

Nos anos 1990 e início dos anos 2000, Marconi construiu uma forte identificação com o eleitorado jovem. Programas como a criação da Universidade Estadual de Goiás (UEG), a expansão do ensino superior no interior, a Bolsa Universitária e outras políticas voltadas para educação e inclusão ajudaram a consolidar essa aproximação.

Agora, o desafio é reconstruir essa conexão com uma nova geração.

Ao mesmo tempo em que enfrenta o desgaste natural de quem governou o Estado por quatro mandatos consecutivos, Marconi também possui um patrimônio político raro: um histórico amplo de obras, programas e políticas públicas que podem ser apresentados ao eleitor como resultados concretos de sua administração.

As imagens da convenção realizada na Assembleia Legislativa reforçam essa mudança de estratégia. A mobilização de lideranças, a presença de prefeitos, vereadores e militantes e a identidade visual da campanha demonstram que o PSDB pretende olhar para frente sem abandonar o passado.

O novo tom da campanha deixa clara a aposta tucana: transformar o legado em ativo eleitoral e conquistar uma geração que conhece Marconi mais pelos livros de política e pelos relatos da família do que pela experiência direta de seus governos. Se conseguirá repetir a forte identificação que teve com os jovens em sua primeira eleição para governador, esse poderá ser um dos fatores decisivos da disputa de 2026.


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