sexta-feira, 8 de maio de 2026

A SELEÇÃO PERDEU OS CRAQUES — E SOBROU UM SÓ: NEYMAR

Eu não falo aqui como torcedor. Eu falo como profissional. São quase 40 anos de microfone. Três Copas do Mundo no currículo — 1994, 1998 e 2002. Eu estive lá dentro. Eu vi de perto o que era a seleção brasileira quando ela tinha craques de verdade.

Em 94, o Brasil tinha Romário e Bebeto decidindo, Dunga liderando, Tafarel garantindo. Era uma seleção com identidade.

Em 98, colocamos em campo alguns dos melhores jogadores do mundo. Perdemos a final, sim — num episódio até hoje mal explicado envolvendo Ronaldo Nazário — mas jogamos futebol para ser respeitados como a melhor seleção do planeta.

Em 2002, então, era um absurdo técnico. Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo Nazário, Cafu, Roberto Carlos… e ainda tinha Kaká surgindo. Aquilo era seleção. Agora me diga: depois de 2002… quem veio?

Mais de 20 anos se passaram — e só surgiu um jogador acima da média. Um. Neymar.

A seleção brasileira deixou de ser um conjunto de craques para se tornar um time dependente de um único nome. E aí está a grande injustiça. Porque o Neymar carrega uma responsabilidade que, historicamente, nunca foi individual. Sempre foi coletiva.

Quem foi o parceiro de nível mundial que o Neymar teve na seleção nesses últimos anos? Nenhum.

Ele joga praticamente sozinho no topo técnico de uma geração inteira. Agora fazem o quê? Cobram dele como se fosse possível resolver tudo sozinho. Coloca o Neymar naquela seleção de 2002.

Ele seria melhor do mundo cinco, seis vezes. Sem discussão. Mas na seleção atual… ele virou o único.

E agora tentam tirá-lo da Copa? Com justificativas que não são futebolísticas? História extracampo, desgaste, narrativa…Isso não é futebol. Isso é política. Política pura. Porque, por bola, por desempenho, por talento — não existe uma pessoa em sã consciência que justifique deixar o Neymar fora de uma Copa do Mundo. E eu digo isso com propriedade.

Porque eu vi o que é a seleção brasileira de verdade. E sei exatamente o que representa um craque quando ele existe.


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