PREFEITURA DE GOIÂNIA NÃO TEM VAGA PARA GINECOLOGISTA: 10 DIAS DE TENTATIVAS E A MESMA RESPOSTA AUTOMÁTICA
Atendimento digital repete protocolo padrão, encerra conversa e deixa paciente sem previsão de consulta
Durante dez dias consecutivos, a tentativa foi simples: marcar uma consulta com ginecologista pelo canal oficial da Central de Atendimento ao Cidadão da Prefeitura de Goiânia.
A resposta, porém, foi sempre a mesma.
Após solicitar a especialidade desejada, o sistema informa: “Não possui vagas no momento. Retorne para nova verificação”. Em seguida, o atendimento é encerrado automaticamente.
Sem previsão.
Sem fila de espera.
Sem protocolo de prioridade.
Sem alternativa concreta.
O padrão se repete.
Não se trata de um episódio isolado. Trata-se de uma sequência de tentativas frustradas ao longo de dez dias, todas encerradas com a mesma mensagem padronizada.
📌 O problema não é apenas a ausência de vaga.
É a ausência de transparência.
Quantas vagas existem por dia?
Qual é o tempo médio de espera?
Existe lista de regulação?
Há déficit de profissionais?
Há contrato terceirizado?
Qual o número de ginecologistas disponíveis na rede municipal?
Nada disso é informado.
O que se entrega ao cidadão é um ciclo automático: tente, aguarde, retorne, tente novamente.
E enquanto o sistema responde “não possui vagas”, mulheres seguem aguardando atendimento em uma especialidade que não é luxo — é atenção básica de saúde.
Ginecologia não é opcional.
É política pública essencial.
É prevenção.
É rastreio de câncer.
É acompanhamento reprodutivo.
É saúde da mulher.
A Constituição Federal é clara ao estabelecer a saúde como direito de todos e dever do Estado. O Sistema Único de Saúde não pode funcionar sob a lógica da tentativa infinita até que, por sorte, surja uma vaga.
Quando o atendimento se limita a mensagens automáticas e o encerramento do contato, cria-se um cenário preocupante: o cidadão não sabe se está na fila, se há fila ou se simplesmente não há estrutura.
E isso precisa ser esclarecido.
Quantos ginecologistas atendem hoje na rede municipal de Goiânia?
Qual o déficit estimado?
Qual o orçamento destinado à saúde da mulher?
Há chamamento público em andamento?
Há previsão de ampliação?
A reportagem buscará posicionamento oficial da Secretaria Municipal de Saúde para esclarecimentos.
Porque a saúde pública não pode ser uma loteria digital.
E quando a resposta se repete por dez dias seguidos, o problema deixa de ser pontual e passa a ser estrutural.
A população tem direito a atendimento.
Mas, acima de tudo, tem direito à informação.
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