quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

SEM VAGAS GOIÂNIA NEGA ATENDIMENTO ÀS MULHERES E ESCONDE A FILA ATRÁS DE UM SISTEMA DIGITAL



PREFEITURA DE GOIÂNIA NÃO TEM VAGA PARA GINECOLOGISTA: 10 DIAS DE TENTATIVAS E A MESMA RESPOSTA AUTOMÁTICA


Atendimento digital repete protocolo padrão, encerra conversa e deixa paciente sem previsão de consulta

Durante dez dias consecutivos, a tentativa foi simples: marcar uma consulta com ginecologista pelo canal oficial da Central de Atendimento ao Cidadão da Prefeitura de Goiânia.


A resposta, porém, foi sempre a mesma.


Após solicitar a especialidade desejada, o sistema informa: “Não possui vagas no momento. Retorne para nova verificação”. Em seguida, o atendimento é encerrado automaticamente.


Sem previsão.

Sem fila de espera.

Sem protocolo de prioridade.

Sem alternativa concreta.


O padrão se repete.


Não se trata de um episódio isolado. Trata-se de uma sequência de tentativas frustradas ao longo de dez dias, todas encerradas com a mesma mensagem padronizada.


📌 O problema não é apenas a ausência de vaga.

É a ausência de transparência.


Quantas vagas existem por dia?

Qual é o tempo médio de espera?

Existe lista de regulação?

Há déficit de profissionais?

Há contrato terceirizado?

Qual o número de ginecologistas disponíveis na rede municipal?


Nada disso é informado.


O que se entrega ao cidadão é um ciclo automático: tente, aguarde, retorne, tente novamente.


E enquanto o sistema responde “não possui vagas”, mulheres seguem aguardando atendimento em uma especialidade que não é luxo — é atenção básica de saúde.


Ginecologia não é opcional.

É política pública essencial.

É prevenção.

É rastreio de câncer.

É acompanhamento reprodutivo.

É saúde da mulher.


A Constituição Federal é clara ao estabelecer a saúde como direito de todos e dever do Estado. O Sistema Único de Saúde não pode funcionar sob a lógica da tentativa infinita até que, por sorte, surja uma vaga.


Quando o atendimento se limita a mensagens automáticas e o encerramento do contato, cria-se um cenário preocupante: o cidadão não sabe se está na fila, se há fila ou se simplesmente não há estrutura.


E isso precisa ser esclarecido.


Quantos ginecologistas atendem hoje na rede municipal de Goiânia?

Qual o déficit estimado?

Qual o orçamento destinado à saúde da mulher?

Há chamamento público em andamento?

Há previsão de ampliação?


A reportagem buscará posicionamento oficial da Secretaria Municipal de Saúde para esclarecimentos.


Porque a saúde pública não pode ser uma loteria digital.


E quando a resposta se repete por dez dias seguidos, o problema deixa de ser pontual e passa a ser estrutural.


A população tem direito a atendimento.

Mas, acima de tudo, tem direito à informação.


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