sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

🔴 FAZENDA BOTAFOGO NO CENTRO DA DISPUTA: A AÇÃO QUE EXPLODIU NO CORAÇÃO IMOBILIÁRIO DE GOIÂNIA

Goiânia acordou sob o barulho que não vem de obra, mas de processo judicial.

Uma ação que tramita na 2ª Vara da Fazenda Pública Municipal e de Registros Públicos da Comarca de Goiânia colocou no centro do debate uma das áreas mais valiosas da capital: a tradicional Fazenda Botafogo, território que hoje abriga condomínios de alto padrão e empreendimentos milionários no entorno do Parque e do Shopping Flamboyant.


No polo passivo da ação está a FGR Construtora S/A, empresa ligada a Frederico Peixoto Craveiro — marido de Ana Paula Rezende, figura que recentemente ganhou protagonismo no cenário político estadual ao se alinhar ao projeto eleitoral de Wilder Morais.


O que está em jogo não é pouco.


Segundo os autores da ação judicial, houve suposta sobreposição de áreas, possível alteração cartográfica e registros imobiliários que teriam deslocado limites históricos da Fazenda Botafogo para outra matrícula rural. A narrativa apresentada nos autos fala em apropriação indevida e questiona a legitimidade de registros que sustentam empreendimentos já consolidados.


É importante deixar claro: não há sentença, não há condenação, não há decisão definitiva. O que existe é um processo em curso, com alegações que precisarão ser enfrentadas tecnicamente por perícia judicial e contraditório pleno. Mas o simples fato de a disputa estar no Judiciário já revela que o terreno sob os pés do mercado imobiliário pode não ser apenas solo valorizado — pode ser solo litigioso.


E quando se fala em terras históricas, registros públicos e eventuais inconsistências documentais, a coisa deixa de ser mero embate privado. Entra no campo da segurança jurídica, da credibilidade cartorial e da confiança do investidor.


O processo discute exatamente isso: a validade dos registros que estruturam parte da expansão urbana de Goiânia na região mais valorizada da cidade.


Se confirmadas irregularidades — hipótese que depende exclusivamente da análise judicial — o impacto pode ir muito além das partes envolvidas. Pode alcançar matrículas derivadas, contratos, incorporações e toda a cadeia imobiliária vinculada à área questionada.


E aqui surge o ponto político inevitável.


Não se trata, até o momento, de investigação criminal nem de acusação formal de crime. Trata-se de uma ação cível que questiona registros imobiliários. Mas o nome da empresa envolvida está conectado a um núcleo político que hoje ocupa espaço estratégico no debate eleitoral em Goiás.


Em ano de rearranjos partidários, qualquer processo judicial que toque em patrimônio, terras ou regularidade documental ganha dimensão pública ampliada.


A Justiça autorizou perícia. Recursos foram apresentados. A tramitação segue. O martelo ainda não foi batido.


Mas a pergunta que ecoa nos bastidores do mercado e da política é uma só:


Se há fumaça registral, haverá fogo cartorial?


O Judiciário dará a resposta. Até lá, o caso deixa um alerta institucional poderoso: quando a discussão envolve terras históricas, registros públicos e interesses milionários, não se trata apenas de metragem — trata-se de legitimidade.


E legitimidade, quando questionada, faz mais barulho que qualquer retroescavadeira.


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