A saída de Alcides do PL não é detalhe: é sinal de que o poder começa a mudar de eixo em Goiás
A política não se move por acaso. E quando um deputado federal do porte de Professor Alcides decide deixar o PL e se aproximar de Marconi Perillo, isso não é mera troca partidária — é movimento estratégico.
A cena em Aparecida de Goiânia não foi protocolar. Foi simbólica. Marconi não foi ao escritório de Alcides apenas para uma conversa política. Foi para construir imagem. Foi para produzir sinal.
E sinal, em política, vale mais do que discurso.
A saída de Alcides do PL mexe diretamente no equilíbrio de forças do Estado. Aparecida não é município periférico no tabuleiro. É o segundo maior colégio eleitoral de Goiás. Quem constrói base ali, constrói caminho estadual.
E o gesto consolida algo que já começa a ser percebido nos bastidores: Marconi voltou a ser tratado como candidato viável — e viabilidade é a moeda mais forte da política.
Expectativa de poder: o combustível invisível
Existe um fenômeno silencioso que antecede as grandes viradas eleitorais: a expectativa de poder.
Quando lideranças começam a acreditar que alguém pode vencer, o movimento acontece quase automaticamente. Prefeitos, vereadores, deputados e operadores políticos começam a migrar. Não por ideologia. Por leitura de cenário.
E nesse momento, Marconi cresce naquilo que realmente importa: percepção.
A política goiana começa a enxergá-lo novamente como protagonista. E quando a expectativa de vitória se instala, ela passa a atrair mais aliados do que qualquer cargo ocupado no presente.
Expectativa de poder, muitas vezes, é mais forte que o poder formal.
Daniel Vilela sente o impacto
Enquanto Marconi constrói narrativa de crescimento, o vice-governador Daniel Vilela vê sua base sofrer rachaduras.
A perda do PL não é apenas um detalhe partidário. É enfraquecimento simbólico. É redução de capilaridade. É ruído na ideia de hegemonia.
Em ano pré-eleitoral, fragilidade não é absorvida — é amplificada.
Se Marconi consegue agregar nomes e criar ambiente de ascensão, Daniel precisa agora provar que mantém musculatura política suficiente para sustentar uma candidatura competitiva.
E na política, quem precisa provar força geralmente já está sob pressão.
Não é filiação. É movimento de vento.

Na tarde desta quinta-feira (19), o tucano tem agenda com diversas lideranças aparecidenses. O próprio Marconi Perillo escolheu o escritório político do Prof. Alcides, no Jardim das Esmeraldas, para o encontro.
Antes da conversa com as lideranças, haverá uma agenda exclusiva com o deputado, momento em que a filiação do parlamentar ao PSDB deve ser discutida entre os dois. A filiação de Alcides ao PSDB confirmar, não apenas reforço numérico para o partido. É a confirmação de que parte da classe política começa a apostar na volta do tucano ao centro do poder estadual.
Não se trata de paixão partidária. Trata-se de cálculo.
E cálculo político é frio.
A pergunta que ecoa nos bastidores não é se Alcides muda de legenda. A pergunta é quantos outros estão observando o movimento para decidir o próprio destino.
Porque quando o vento começa a mudar, poucos querem permanecer do lado errado da história.
A eleição ainda está distante no calendário. Mas no subterrâneo do poder, o jogo já começou.
E quem souber ler os sinais entenderá: não foi apenas uma reunião em Aparecida.
Foi um aviso.
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