Aval dado na Papuda reorganiza o tabuleiro, expõe divisão interna e coloca fim — ao menos por ora — à tese de aliança com o grupo governista
A política goiana acordou com um recado claro vindo de Brasília.
Em visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador Wilder Morais recebeu aval para seguir como pré-candidato ao Governo de Goiás pelo PL. A informação, divulgada por O Popular, não é apenas um gesto protocolar. É movimento estratégico. E dos que produzem efeitos.
Nos bastidores, aliados relatam que Bolsonaro destacou o perfil conservador do eleitorado goiano e a necessidade de palanques fortes nos estados com vistas à disputa presidencial — cenário que envolve o senador Flávio Bolsonaro.
Traduzindo: Goiás não é detalhe regional. É peça nacional.
O RECADO INTERNO
O aval não atinge apenas adversários externos. Ele atinge, sobretudo, o próprio PL.
Havia, dentro da legenda em Goiás, movimentação para aproximação com o grupo do governador Ronaldo Caiado. A tese defendia composição com o vice-governador Daniel Vilela (MDB), incluindo articulações para a segunda vaga ao Senado
Entre os nomes citados como defensores dessa linha estavam os deputados federais Magda Mofatto e Gustavo Gayer.
O gesto de Bolsonaro, segundo a análise de aliados, encerra essa discussão.
Se o ex-presidente diz que o candidato é Wilder, qualquer outro caminho passa a ser dissidência — ainda que elegante.
O QUE ESTÁ EM JOGO
Não se trata apenas de candidatura.
Trata-se de identidade partidária.
O PL em Goiás estava diante de duas escolhas:
- Ter candidatura própria, com discurso ideológico alinhado ao bolsonarismo raiz.
- Compor com o grupo governista, ampliando espaço institucional e poder de negociação.
O aval inclina o partido para o primeiro caminho.
Isso preserva coerência ideológica? Sim.
Mas também aumenta o risco de isolamento político municipal, caso parte da base prefira pragmatismo a fidelidade.
A POLÍTICA NÃO É INOCENTE
Aval político nunca é gesto isolado. É cálculo.
Ao consolidar Wilder como nome, Bolsonaro:
- Mantém o controle da narrativa no estado.
- Impede que o PL goiano se dilua em alianças amplas.
- Sinaliza que Goiás será trincheira eleitoral nacional.
Resta saber se todos dentro do partido aceitarão essa definição sem resistência.
Porque em política, silêncio não significa concordância. Muitas vezes significa espera.
A PERGUNTA QUE FICA
O PL de Goiás seguirá unido em torno de Wilder?
Ou veremos uma reconfiguração silenciosa, com movimentos paralelos nos bastidores?
O que está claro é que a disputa deixou de ser apenas externa.
Agora é também interna.
E, em política, racha interno costuma doer mais que oposição declarada.
Esta análise baseia-se em informações publicadas pela imprensa e em movimentações políticas públicas e notórias. Não há imputação de ilícito a qualquer agente político citado, mas interpretação crítica de fatos políticos divulgados.
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